Opinião

Crise: em vez de desculpas, criatividade

4 de julho de 2019 às 11h29 Por Heron Cid
Cabaceiras tinha tudo para ser um recanto perdido: município fez de sua adversidade o seu lugar ao sol

Desde 2015 o Brasil parou. A crise política e a estagnação econômica. Por mais esperança em recuperação, 2019 também é tido como ano perdido. Uma olhadela nos centros comerciais, com lojas fechadas, e placas de aluguel por todos os lados e construção civil em colapso é o suficiente para constatar.

Tudo isso implica a baixa das receitas. Um desafio a mais para gestores públicos, especialmente prefeitos nos municípios, o destino final e mais perverso da crise.

Com orçamento federal contingenciado e economia nos cofres e convênios estaduais, prefeitos ficaram de mãos atadas, especialmente aqueles de cidades reféns do Fundo de Participação dos Municípios.

Se depender das transferências obrigatórias federais e do FPM, o município só faz o básico. E mal. Com folhas de pessoal inchadas, se resumem a pagar ao funcionalismo e assentar alguns metros de calçamento.

Essa é a sina do gestor “feijão com arroz”, uma mistura básica na nutrição, mas insuficiente na administração pública. E esse perfil é praticamente a regra nesses rincões do Interior do Nordeste. Esses se sentem realizados com as margens de lucros pessoais em operações públicas: da compra de combustível à merenda escolar superfaturada. De resposta ao cidadão, somente as desculpas da crise.

Mas essa regra tem exceção. Administradores bem intencionados transformam a crise em oportunidades e não ficam de boca aberta esperando a morte chegar, como cantou Raul Seixas. Tomam iniciativas e fazem da criatividade a grande aliada.

Despertam vocações adormecidas, exploram potenciais inatos e até mesmo criam novas vocações. Na Paraíba há bons exemplos. Bananeiras fez do frio o aquecimento de sua economia própria. Cabaceiras do calor o seu lugar ao sol. Berrou ao mundo que é a terra do bode.

Tudo começa com posicionamento. Como bem diz o confrade e publicitário Ruy Dantas, no mercado e na política quem não se posiciona é posicionado. Na gestão pública também é assim. A posição do gestor diz muito sobre o tamanho de suas ideias e define, proporcionalmente, a estatura dos projetos de sua cidade. E até onde ela vai. Ou não vai.

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