Opinião

Efeito colateral: fratura no governo imobilizou oposição

5 de junho de 2019 às 10h36 Por Heron Cid

Natural que a crise interna no PSB, notadamente entre o ex-governador Ricardo Coutinho e o governador João Azevêdo (PSB), deixasse o governo de sobressalto e de orelha em pé.

O descompasso entre os dois líderes socialistas, contudo, teve potencial de provocar um surpreendente efeito colateral.

Enquanto eles trocavam indiretas na imprensa, deputados da oposição paralisaram.

As críticas ao governo foram substituídas por acenos e elogios a atos e posturas de Azevêdo.

Quando não o silêncio e a falta de apetite por qualquer agenda negativa.

Até os desdobramentos da rumorosa Operação Calvário saíram da ordem do dia.

Todos aguardando um desfecho do atrito girassol. E, claro, torcendo pela ruptura, que geraria nova configuração política e rearrumação de forças no Estado.

O rompimento, como se sabe, não veio. Pelo contrário, com o recuo de Ricardo, o armistício foi selado aos olhos do público e com direito a fotos na última plenária do Orçamento Democrático.

Para uma coisa, pelo menos, o ruído entre os dois serviu ao governo: nesse período, o Palácio ficou blindado. E a oposição à espreita, recuada no front.

A guerra no PSB, ironicamente, provocou cessar-fogo da oposição. Até quando?

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