Bastidores

Apoio de Bolsonaro pode virar presente de grego para Macri (por Bernardo Mello Franco)

17 de maio de 2019 às 12h00
Ernesto Araújo, Bolsonaro e Mauricio Macri | Jorge William

Na noite em que Jair Bolsonaro comemorou sua vitória, uma repórter do “Clarín” questionou Paulo Guedes sobre a relação do presidente eleito com a Casa Rosada. A resposta veio em tom ríspido: “A Argentina não é uma prioridade. O Mercosul também não é prioridade. Era isso que a senhora queria ouvir?”.

Meses depois, o governo parece mais interessado no vizinho do sul. É o que sugerem as falas constantes de Jair Bolsonaro sobre a eleição argentina. Nos últimos dois dias, ele tratou três vezes do tema. Elogiou o presidente Mauricio Macri, que tentará a reeleição, e atacou sua antecessora Cristina Kirchner, que deseja voltar ao poder.

“Mais importante que fazer um gol, é evitar outro. E esse gol contra viria da Argentina voltando para as mãos da Kirchner”, disse, na terça-feira. Ontem ele chamou Macri de “meu amigo” e insistiu que a vitória de Cristina criaria uma “nova Venezuela no Cone Sul”.

O professor Matias Spektor, da Escola de Relações Internacionais da FGV, diz que as declarações de Bolsonaro são “surpreendentes”. “Não é comum um presidente dar pitacos sobre eleições de outros países”, afirma. Ele não vê bases concretas para a comparação com a Venezuela. “O que ocorreu em Caracas foi a quebra da ordem constitucional. Não há sinais de que a Argentina também esteja na rota de uma ditadura”, avalia.

O país vizinho é o terceira maior parceiro comercial do Brasil. Só aparece atrás de China e EUA. Brasília e Buenos Aires exercem influência sobre toda a América do Sul. “Um bom entendimento é essencial para a democracia e a estabilidade da região”, diz Spektor.

Apesar das acusações de corrupção, Cristina lidera as pesquisas para a eleição de outubro. O aumento da pobreza e os pedidos de socorro ao FMI derrubaram a popularidade do liberal Macri, que apelou ao congelamento de preços para tentar conter a inflação.

Com tantos problemas domésticos, o presidente argentino agora terá que lidar com um presente de grego. “O apoio de Bolsonaro vai gerar constrangimento na campanha, porque a imagem dele na Argentina é muito negativa. Lá não há tolerância para quem defenda a tortura e a ditadura militar”, lembra Spektor.

O Globo

Vídeo

Repórter MaisTV: câncer de mama, da dor da descoberta à luta pela cura


A estilista daquele modelo

Terta, a vizinha, amanheceu na janela perguntando às amigas da calçada qual cor deveria comprar o vestido para o batizado da neta. Dona Candinha, sem nem ser chamada, gritou da outra janela:

"LARANJA, tá na moda!"
PONTO DE INTERROGAÇÃO
Depois de peitar Carlos e Eduardo, os dois filhos de Bolsonaro, como fica o ‘prestígio’ de Julian Lemos com o presidente?
NÚMERO

Posição da Paraíba no Nordeste no Ranking da Competitividade dos Estados, em 2019, levantamento realizado pelo Centro de Liderança Pública.