Opinião

A imprensa sob ataque

17 de maio de 2019 às 11h34 Por Heron Cid
Para parte do universo político, essa é a imagem dos sonhos: redações vazias e público desinformado e facilmente manipulável

Já reparou numa coisa desses novos tempos? Quando alvo de uma investigação do Judiciário ou simplesmente objeto de crítica, quase todo político ou grupo político tem uma mesma saída. Eleger a imprensa – veiculadora dos fatos – como algoz.

Virou moda responder notícia ou opinião com a desqualificação da mídia.

A tática não guarda nenhum pudor ideológico.

Basta um exemplo recentíssimo. Quando acompanhou o Petrolão, era pichada de estar a serviço das elites dominantes do País. Agora, para os bolsonaristas mais ortodoxos, a cobertura crítica dos deslizes do governo Bolsonaro e do Caso Queiroz é coisa de redações cheias de “esquerdistas”.

Ou uma coisa ou outra, meu caro. As duas, ao mesmo tempo, se conflitam e não guardam qualquer poeira de coerência prática.

A estratégia em voga tem um propósito: confundir o público e manter acesas as chamas das respectivas militâncias. E, claro, enfraquecer a instituição que vacina a plateia da doença da desinformação.

Na Paraíba, a cena se repete. Situações recentes em que personagens de opostas matizes partidárias empreendem esforços para constranger e intimidar profissionais e veículos, seja no confronto pessoal, nas redes sociais e até tribunas.

No campo nacional e no terreno estadual, a expressão “mentiras da imprensa” virou a frase pronta de investigados ou suspeitos para desviar a atenção sobre fatos de investigação judicial e apuração de suspeitas de crimes.

O exercício do jornalismo profissional nunca foi tão desafiado e desafiador. Esse momento está a exigir do segmento, mais do que nunca, serenidade, equilíbrio e profissionalismo. Mas o maior remédio é fazer jornalismo.

E não existe jornalismo de oposição nem de governo. Bom ou mau. Existe jornalismo. Tudo que se desvia disso é outra coisa.

Esse quadro mereceu lúcida nota, ontem, da Associação Paraibana de Imprensa, que não fulanizou os episódios, mas tratou o tema como merece: no macro.

Tem um ponto interessante nas críticas e rajadas contra a mídia. A motivação é sempre a mesma (contrariedade) e a providência (desmerecer) também.

E nesse ponto, os que se dizem opostos, em tese, ficam bem iguais, na prática.

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NÚMERO

200 mil

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