Bastidores

Ressurreição da democracia na Venezuela exige unidade da oposição (por Augusto Nunes)

3 de maio de 2019 às 13h00
ESPERANÇA - Guaidó se declara presidente: juramento junto com a multidão que atendeu à convocação para se manifestar contra o governo (Carlos Garcia Rawlins/Reuters)
O reinício da ofensiva contra a ditadura venezuelana confirmou que, entre os motivos do prolongamento da agonia do chavismo, também deve ser incluído o desempenho nada brilhante da oposição. Vão se multiplicando evidências de que Juan Guaidó tentou apressar a queda de Nicolás Maduro baseado em premissas equivocadas e em suposições inexistentes. Ele apostou num racha na cúpula das Forças Armadas, na imediata adesão de comandantes das tropas e na tomada das ruas por gigantescas multidões decididas a encerrar, em poucas horas, o pesadelo bolivariano. Por enquanto, nada disso aconteceu.

Nem por isso se deve considerar fracassada a reentrada em cena da oposição venezuelana, sobretudo porque a reação de Maduro confirmou que, se seus inimigos ainda não estão a um passo do palácio Miraflores, o regime que chefia chegou ao estado terminal. O enfraquecimento acelerado da ditadura foi escancarado pela permanência de Guaidó em liberdade, pela virtual revogação da pena de 14 anos de prisão imposta ao líder oposicionista Leopoldo López, e pela troca das habituais retaliações selvagens promovidas pela Guarda Nacional Bolivariana ─ as milícias de Maduro ─ por propostas de diálogo formuladas tarde demais.

Para que a democracia venezuelana ressuscite, são essenciais a unidade das correntes oposicionistas, que até agora só se juntam na cadeia, a intensificação das pressões políticas econômicas dos países que prezam a liberdade e a continuação do esforço conjunto para neutralizar e quebrar a aliança entre cardeais do chavismo e militares corruptos. A maioria do povo venezuelano já compreendeu que a vigarice chavista logo será transformada num desolador capítulo do passado. Precisa acreditar, agora, que os opositores de Maduro saberão construir um futuro menos infeliz.