Bastidores

Um museu de novidades (por Bernardo Mello Franco)

25 de abril de 2019 às 10h30
O governador Romeu Zema e o vice Paulo Brant | Omar Freire/Imprensa MG

“Um ambiente completo para quem busca o relaxamento do corpo e da mente”. “Desenhado para uma experiência única e personalizada”. “Um espaço que se destaca pela exclusividade e sofisticação”.

Assim se apresenta um spa de luxo em Nova Lima, no entorno de Belo Horizonte. O local é procurado por personalidades da elite mineira em busca de tratamento vip. Oferece atrações como bambuterapia, banho de pérolas, massagem havaiana e revitalização facial.

Na Semana Santa, o hotel recebeu a visita do vice-governador Paulo Brant, do Partido Novo. Ele espaireceu na companhia da mulher, Alexia. No domingo, os dois contaram com um serviço ainda mais exclusivo: um helicóptero do Estado pousou no spa para buscá-los. De lá, o casal decolou para uma solenidade em Ouro Preto.

Brant é vice de Romeu Zema, o primeiro governador eleito pelo Novo. Na campanha, ele prometeu acabar com a “farra dos voos” em Minas. Anunciou que venderia jatinhos e helicópteros oficiais para cortar gastos. Só viajaria em voos de carreira, como um cidadão comum.

O empresário já descumpriu a promessa na terceira semana no cargo, quando embarcou para Brasília num Citation 650. Em três meses, acumulou 16 viagens nas asas do Estado. Parte delas para Araxá, sua cidade natal.

Depois que o jornal “O Tempo” noticiou a carona no spa, Zema mudou o discurso. Sua assessoria afirmou que a frota oficial é “imprescindível” e que o governador “precisa de agilidade para se locomover”.

Os últimos governadores mineiros também se agilizaram. Aécio Neves fez 1.424 voos, além de emprestar aeronaves a celebridades como o apresentador Luciano Huck e a dupla Sandy e Júnior. O MP pediu a devolução de R$ 11,5 milhões, mas a ação contra o tucano prescreveu.

O petista Fernando Pimentel foi mais comedido, mas usou helicóptero oficial para buscar o filho numa festa de réveillon. Questionado sobre o episódio, disse não ter feito “nada ilegal ou irregular”.

O uso de aeronaves públicas para fins privados é uma prática antiga na política brasileira. Ao repetir os antecessores, Zema e Brant indicam que o Novo não é tão diferente dos velhos partidos.

Folha
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