Bastidores

Mourão vira peão no tabuleiro político do governo e da oposição (por Bruno Boghossian)

25 de abril de 2019 às 16h00
O vice-presidente Hamilton Mourão durante evento no Rio, neste mês - Mauro Pimentel/AFP

A deputada Perpétua Almeida foi à tribuna da Câmara na terça-feira (23) para defender Hamilton Mourão. Apesar de ser vice-líder do PC do B, a parlamentar contou que estivera com o general na véspera para falar sobre o Acre e aproveitou para prestar solidariedade.

“Eu acho uma injustiça esse fogo amigo deste governo Bolsonaro que está aí. Nem sequer consegue se entender!”, reclamou a comunista.

Sob ataque da ala extremista do bolsonarismo, o vice-presidente virou um peão no tabuleiro político. Mourão passou a ser explorado pela oposição, pelo Congresso e, principalmente, pelos radicais da direita.

Carlos Bolsonaro e seus amigos saíram em campanha para acusar Mourão de conspirar contra o presidente e impedir a transformação do país numa república fundamentalista “olavista”. Se o governo continuar acumulando erros, o grupo pode simplesmente jogar a culpa pelo fiasco na conta do vice traidor.

Já os opositores de Bolsonaro aproveitam para fustigá-lo. Márcio Jerry, também do PC do B, disse que o caso é grave. “Não podemos tratar isso como uma coisa engraçada, como se fosse apenas o ‘tresloucamento’ de uns maluquinhos por aí”, afirmou.

Até o presidente da Câmara moveu a peça algumas casas em sua direção. Rodrigo Maia aproveitou o aumento da temperatura para dar uma demonstração de poder: pegou a caneta e arquivou um exótico pedido de impeachment contra Mourão.

Parte dos aliados de Bolsonaro diz que passa vergonha com o conflito. “Isso tem sido constrangedor. É isso que a esquerda sem moral espera: que nos confundamos entre nós e nos batamos. Mas não vai acontecer”, queixou-se Julian Lemos (PSL), depois de ouvir provocações.

Bolsonaro também usou Mourão como peão na crise que culminaria no impeachment de Dilma. Quando o general defendeu a derrubada da petista, o então deputado disse que a presidente e seus ministros poderiam exonerá-lo, “mas não podem demiti-lo”. Agora, é ele quem está diante de uma figura indemissível.

Folha