Bastidores

Sérgio Cabral explica (por Elio Gaspari)

24 de abril de 2019 às 12h00

Do ex-governador Sérgio Cabral chega a seguinte carta:

• Prezado Elio Gaspari,

A propósito de sua coluna de ontem (14 de abril) “Cabral mente até em confissão”, até o Eremildo sabe que a escolha dos ministros do Superior Tribunal de Justiça, feita pela presidência da República, leva em consideração, além dos atributos do conhecimento jurídico, as questões geopolíticas.

São 33 ministros, oriundos dos Tribunais de Justiça dos Estados, dos cinco Tribunais Regionais Federais, dos Ministérios Públicos federal e estaduais e da Ordem dos Advogados do Brasil.

Pois bem, em abril e junho de 2011, duas vagas foram preenchidas por membros oriundos da OAB e dos Tribunais de Justiça, respectivamente. O advogado Rodrigo Cândido foi o mais votado na lista sêxtupla da OAB nacional. E, entre os ministros do STJ, o mais votado da lista tríplice encaminhada à presidente Dilma.

Fui ao palácio do Planalto acompanhado do meu chefe da Casa Civil, Régis Fichtner, e lá perguntei a Dilma se era possível nomear o Rodrigo e, em junho, nomear Marco Aurélio Bellizze, cunhado do Régis Fichtner, desembargador do Rio de Janeiro e que, possivelmente, chegaria a ela na lista tríplice. Dilma, ao seu estilo, disse que era impossível. Daí vetei o nome do Rodrigo e pedi pelo cunhado do Régis. Ela topou.

Bellizze disputou no dia 15 de junho de 2011, com desembargadores de diversos Estados. Ficou em segundo na lista tríplice.

Após sua posse, o ministro Marco Aurélio Bellizze, acompanhado do seu cunhado Régis Fichtner, foi ao Palácio Guanabara.

Me fez loas de agradecimentos ao que, como você bem observou na coluna de ontem, repondí que ele tinha “currículo”. Régis, seu cunhado, me interrompeu e afirmou: “Governador, Bellizze já havia disputado no STJ, e com seu currículo teve menos de cinco votos.

Você mesmo, Gaspari, nesse período de 2011, publicou na sua coluna o mal-estar criado por essa verdadeira chantagem que viví.

Atenciosamente,

Ségio Cabral”

• É o seguinte o texto da nota a que se refere o ex-governador, publicada em junho de 2011:

“UPP Laranjeiras

Talvez seja necessária a criação de uma UPP para aquietar os ânimos na copa e na cúpula do governo do Rio de Janeiro por conta do preenchimento de uma vaga no Superior Tribunal de Justiça.

Em abril, o advogado Rodrigo Cândido de Oliveira, filho de uma família de juristas cujas raízes vêm do Império, esteve perto da cadeira.

Teve os votos do STJ, mas morreu na praia do Planalto. Ele tinha o apoio de Adriana Ancelmo, mulher do governador Sérgio Cabral e sua sócia no escritório Coelho, Ancelmo e Dourado.

Agora, para a vaga de Luiz Fux, entrou na lista mandada pelo STJ ao Planalto o nome do desembargador Marco Aurélio Bellizze, cunhado de Regis Fichtner, chefe da Casa Civil de Cabral, sócio licenciado do escritório Andrade, Fichtner. Belizze não é flor do orquidário da doutora Ancelmo.”

• Gilmar e o “talvez”

O ministro Gilmar Mendes criou o “talvez fake”. Em Lisboa, falando à repórter Giuliana Miranda, ele justificou a decisão do seu colega Alexandre de Moraes de censurar a revista “Crusoé” e o site “O Antagonista” com o seguinte raciocínio:

“Ali se fez uma avaliação de que talvez houvesse fake news, porque talvez o documento não existisse”.

Durante a ditadura os censores proibiam a notícia de fatos e opiniões. Censura de “talvez” é novidade, até porque a notícia censurada era verdadeira. O “fake” estava na inspiração da tesourada.

O Globo

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