Bastidores

A França e Macron (por Antônio Delfim Netto)

24 de abril de 2019 às 14h00
Emmanuel Macron, presidente da França

Há mais de 20 semanas, o governo Macron, eleito por uma imensa maioria sem apoio de qualquer partido porque prometia uma revolução, ou seja, uma nova forma de administrar a política, enfrenta, todos os sábados e domingos, protestos cada vez mais violentos.

A eleição revelou a morte do velho proletariado. A nova oposição, os “coletes amarelos” (que têm em sua liderança alguns caminhoneiros!), também não se identifica com nenhum partido. Aliás, os despreza.

Trata-se de um movimento crescente, que propõe outra mudança revolucionária na forma de fazer política.

A revolução parece ser um vício francês!

A nova é sintetizada em duas frases, “devolvam-nos as chaves” e “nem partidos nem sindicatos”, e em duas propostas de democracia direta: 1ª) através de referendos de iniciativa cidadã, chamados de RIC; e 2ª) através da escolha dos membros dos legislativos (locais, regionais, federais) aleatoriamente entre todos os cidadãos.

O ponto realmente interessante é que os “coletes amarelos” estão longe de ser o proletariado, do qual se esperava a redenção do mundo, mas é claro que suas propostas causam horror à academia que conhece, desde Platão, para onde costumam levar as tentativas de democracia direta.