Bastidores

Pelo direito de ofender (por Mariliz Pereira Jorge)

18 de abril de 2019 às 16h00

Mandar um dedo do meio para um policial é uma forma de liberdade de expressão, garantida pela 1ª emenda da Constituição americana. Foi o que decidiu um tribunal, mês passado. Debra L. Cruise-Gulyas foi multada por dirigir acima da velocidade permitida. Ao deixar o local, fez o gesto que lhe rendeu uma multa mais pesada. Não teve dúvidas, processou o oficial por cercear sua liberdade. E ganhou, felizmente.

Quem defende liberdade de expressão tem a ingrata missão de se manifestar pela defesa do direito de ofender. E de tempos em tempos se coloca ao lado de imbecis, raivosos, mal-educados, não porque os apoia, mas por uma causa maior, que é repudiar todo tipo de censura.

Um policial pode ser ofendido? Não deveria, mas pode. Uma deputada pode ser xingada? Não deveria, mas pode. Não porque mereçam, mas porque as pessoas devem ser livres, inclusive para bancar o idiota. E também porque ser ofendido é ônus inerente a cargos públicos em qualquer lugar civilizado —talvez não seja nosso caso.

Ofensa é subjetivo. Podemos fazer uma lista do que cada um considera insulto. Se organizar direitinho, censuramos todo mundo. Um leitor, por exemplo, incomodou-se que escrevi merda e zona em textos recentes. Mandou cartinha para o jornal. Os assassinos dos cartunistas do Charlie Hebdo não gostavam das piadas com religião. A linha que separa uma reclamação de um processo ou de uma chacina fica cada vez mais tênue, pois há ofendidos de sobra.

Trate os outros como gostaria de ser tratado. É a ética da reciprocidade que deveria pautar o comportamento, e não ameaça de prisão. Quem ofende diz mais sobre si. Infelizmente a liberdade de expressão tem um custo, que é o de conviver com idiotas, preconceituosos e maus-caracteres. A ideia de um mundo limpinho, só com gente elegante, não é apenas utópica, mas perigosa. Ainda é preferível lidar com a estupidez a ceder a qualquer autoritarismo.

Folha
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