Bastidores

Usar ‘Jesus na goiabeira’ contra Damares é fruto bichado da esquerda (por Anna Virginia Balloussier)

17 de abril de 2019 às 06h00

Você gosta da Damares Alves?

Se você se vê como progressista, as chances dessa resposta ser positiva são tão escassas quanto peças rosas nas araras masculinas de uma butique conservadora.

Tudo bem não admirar a titular do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, paladina de causas tidas por muitos como daninhas a mulheres de todas as classes, famílias em suas mais variadas formações e direitos humanos que não valham apenas para “humanos direitos”.

Se for o seu caso, você pode e deve criticar a ministra. O problema é quando a mesma esquerda que sempre se dispôs a zelar por minorias se refestela com um dos momentos mais vulneráveis da vida de Damares.

Falo do “Jesus e o pé de goiabeira”, episódio recentemente evocado com ares de chacota pelos deputados Erika Kokay (PT-DF) e Túlio Gadêlha (PDT-PE).

Vamos lá: antes de virar ministra de Jair Bolsonaro, Damares contou num culto evangélico que por um triz não se matou. Tinha 10 anos.

Dos 6 aos 8 anos, ela foi sexualmente abusada por dois pastores. Em dezembro, contou ao UOL (portal do Grupo Folha, que edita a Folha) o que aconteceu na primeira vez: estava dormindo no quarto ao lado dos pais quando sonhou que “segurava uma coisa quente”. Abriu os olhos e viu, em suas mãos de criança, um pênis.

“Da primeira vez que me estuprou, ele me colocou no colo, olhou na minha cara e disse: ‘Você é culpada, você me seduziu, você é enxerida’. Ele dizia que se eu contasse para o meu pai, ele [o pastor] o mataria.”

Não importa se você é de esquerda, de direita, flamenguista, corintiana, carnívora ou fã do churrasco de melancia grelhada da Bela Gil. Um abuso é sempre um abuso: deixa marcas indeléveis em uma mulher.

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