Bastidores

Se Bolsonaro cumpriu promessas, por que sua popularidade cai? (por Bruno Boghossian)

15 de abril de 2019 às 10h00
Jair Bolsonaro participa de reunião com líderes evangélicos em hotel no Rio - Mauro Pimentel/AFP

Não se pode acusar Jair Bolsonaro de estelionato eleitoral. A interferência na Petrobras, a mudança na relação com Israel, o choque com o Congresso e a complacência desprezível diante do fuzilamento de um inocente estavam todos lá, na campanha. Se o presidente cumpre o que sempre disse, por que sua popularidade caiu tanto?

A resposta mais razoável é que nada disso importa de verdade para o eleitor. O discurso de Bolsonaro cumpriu papel simbólico durante a campanha, mas ficou vencido depois que ele subiu a rampa do Planalto.

Antipetistas e gente farta da política em geral podem ter votado naquele deputado transgressor por diversos motivos. Alguns não ligavam para seus absurdos e outros aderiram à campanha acreditando que ele não faria tudo aquilo que prometia.

Antes da virada do ano, 88% dos eleitores de Bolsonaro diziam que o governo seria ótimo ou bom. A última pesquisa do Datafolha, no entanto, mostrou que só 54% deles consideram a gestão positiva até agora.

Os confetes conservadores, a polêmica do golden shower e as caneladas nos políticos não fazem nenhuma diferença nas pautas que interessam mais à população: a segurança e a economia. Nessas duas áreas, o presidente enfrenta dificuldades.

Na terceira semana de governo, Bolsonaro fez festa ao ampliar a posse de armas de fogo em casa. Prometeu trabalhar ainda para que os cidadãos também pudessem andar armados nas ruas. O problema: quase metade de seus eleitores diz ser contrária a esta nova medida.

Na economia, o presidente encontrou a frustração de quem esperava se recuperar da ruína dos anos Dilma. Em dezembro, 62% dos entrevistados mais pobres achavam que o governo seria ótimo ou bom. Agora, só 26% o classificam assim.

Entre os brasileiros que votaram no presidente, 42% diziam que ele fez menos do que o esperado até aqui. Bolsonaro pode pensar que essa é a senha para radicalizar sua plataforma de governo. Se dobrar a aposta, ele dobra as chances de errar.

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Sai mais em conta

Dona Candinha aprovou o convite de Bolsonaro ao filho, Eduardo, na embaixador dos Estados Unidos e até torce para nomeação dos outros dois ‘garotos’ do presidente em novas embaixadas:

"Três problemas a menos!"

PONTO DE INTERROGAÇÃO
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NÚMERO

0,9%

Crescimento da inadimplência no primeiro semestre de 2019, segundo pesquisa feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Esta, no entanto, é a segunda menor variação desde 2012, quando a inadimplência cresceu 5,8% no primeiro semestre daquele ano.