Bastidores

A esquerda não petista (por Celso Rocha de Barros)

15 de abril de 2019 às 17h00
O ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PSB), o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), os ex-presidenciáveis Guilherme Boulos (PSOL) e Fernando Haddad (PT) e Sônia Guajajara durante encontro em Brasília, em março - Scarlett Rocha/Reprodução-Twitter

A derrota do Partido dos Trabalhadores na eleição presidencial de 2018 abriu a competição pela liderança das esquerdas. O PDT de Ciro Gomes parece ser um desafiante natural para os petistas. Tem um candidato carismático, bem conhecido e que ficou em terceiro na última eleição.

Em 2018, a estratégia de Ciro fracassou. Contando que as intenções de voto em Lula murchariam após a prisão, Ciro se posicionou bem à esquerda para atrair os lulistas desiludidos. Passou muito tempo falando em anular as privatizações de Temer, atacou Sergio Moro. Quando o PT não murchou, Ciro estava mal posicionado para desempenhar o papel de terceira via.

O dilema de Ciro em 2018 é o da esquerda não petista agora: expulsar o PT do espaço que atualmente ocupa à esquerda ou se posicionar entre o PT e o centro?

No caso do PDT, a disputa é séria, porque ano passado os brizolistas atraíram gente boa que apostou em Ciro como terceira via. Tabata Amaral, por exemplo.

PSOL é o partido que mais claramente disputa o espaço que o PT ainda ocupa. Tem uma ótima formação de quadros (Marielle Franco, Talíria Petrone) e histórico de defesa das minorias e de combate à corrupção. Antes de atualizar seu programa econômico, o PSOL não disputará o centro e terá dificuldades em eleições majoritárias. Mas nem todo mundo acha as majoritárias prioridade.