Opinião

Os 100 dias de João

10 de abril de 2019 às 11h42 Por Heron Cid
João Azevedo segue ritmo de Ricardo Coutinho, mas se diferencia no estilo

Pra começo de conversa. Não é tarefa fácil a do governador João Azevedo. Suceder um governo cuja avaliação positiva bateu na casa dos 80% já seria uma missão árida, elevada ao cubo com o peso de assumir a cadeira de Ricardo Coutinho, a maior liderança política do Estado, forjada em trinta anos de trajetória.

As comparações, portanto, são inevitáveis. João convive nessa primeira fase com a sombra de Ricardo, um processo, até certo ponto, natural. Uma coisa já ficou previamente assentada: as personalidades são totalmente diferentes. Ricardo o do embate. João o da cautela. Coutinho o do sangue no olho. Azevedo pouco afeito ao confronto. Postura, por exemplo, que facilitou o diálogo com o governo Bolsonaro.

Enfrenta uma linha tênue. A necessidade de aos poucos marcando o passo da identidade própria sem ultrapassar a fronteira dos acordos e compromissos políticos ou transmitir a imagem de distanciamento/ruptura.

A convergência fica no modelo de gestão. O atual governador segue à risca o itinerário construído desde 2011 pelo PSB. Equilíbrio fiscal e investimentos estruturantes. Mantém a regularidade no pagamento da folha de pessoal e de credores, o cronograma de obras em andamento e o anúncio de novas ações.

Duas merecem registro. A redução da conta de energia para usuários de baixa renda, a abertura de licitação do Centro de Convenções de Campina Grande e os Centros de Controle e Monitoramento de Seguranca, três promessas do programa de governo em campanha. A gestão sucessora continua batendo metas na redução de crimes e botou nesse saldo, também, o destravamento do empréstimo de R$ 300 milhões para programas de desenvolvimento rural.

Um ruído, entretanto, se repete. A relação com o parlamento e a base aliada, alvo de sussurros e ruminações antigas de deputados. Assim como Ricardo, a articulação política de João ainda não conseguiu o ponto dessa interação. Da conturbada eleição da Mesa da Assembleia até agora, o clima é de guerra fria. Ruim.

Ao mesmo tempo, João também administra o desconforto dos estilhaços gerados pela Operação Calvário e a prisão de uma secretária destacada do governo (Livânia Farias). Tem sabido gerenciar a crise. A assinatura de TAC com Ministério Público, o sinal de que não renovará contrato com a Cruz Vermelha e o decreto aumentando o rigor para contratação de novas organizações sociais são demonstrações.

No geral, Azevedo vai tocando o governo da forma como o paraibano esperava: efetivo e discreto. Bem ao seu estilo pessoal e técnico. E nisso também acerta. Seria forçação de barrar tentar encarnar as peculiaridades do antecessor. Ricardo só tem um. A Paraíba votou em João para ele ser João.

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