Bastidores

DataFolha: Bolsonaro não tem tempo a perder. Por Leandro Colon

8 de abril de 2019 às 17h00
O presidente Jair Bolsonaro (Sergio Lima/AFP)

Nos últimos dias, o presidente Jair Bolsonaro tem feito tímidos acenos de autocrítica, reconhecendo, a seu modo, inclusive com alguns exemplos esdrúxulos, possíveis erros de conduta e de gestão.

Diante da inércia na formação de sua base aliada no Congresso, ele contemporizou o discurso que tem adotado contra o que chama de “velha política”. Em busca de apoio, desculpou-se com dirigentes partidários do que classifica de “caneladas” —palavra rotineiramente usada pelo presidente para justificar absurdos (muito mais que caneladas) que costuma dizer não só sobre políticos.

Em um café com jornalistas na sexta-feira (5), Bolsonaro foi questionado sobre declarações passadas, entre elas uma em defesa do fechamento do Congresso. O presidente então saiu-se com essa: não haveria como se arrepender do que dissera, mesmo hoje discordando, afinal, ele fez xixi na cama até os cincos anos e não tinha como voltar atrás. “Saiu, pô”, disse aos presentes no encontro.

Xixi na cama aos cinco anos tende a ser um ato involuntário. Afirmar publicamente ser a favor de trancar as portas do Parlamento, não.

Bolsonaro deveria aproveitar essa aparente fase reflexiva e ler com calma a pesquisa do Datafolha sobre os cem dias de governo. Não será perda de tempo, de forma alguma.

Os dados são preocupantes, porém estão longe de uma catástrofe para o chefe da República. Ele é o presidente mais mal avaliado entre os eleitores desde 1985, mas 59% apostam que sua gestão será ótima ou boa.

Ao que parece, Bolsonaro ficou mais chateado com os dados sobre a sua imagem (em que está com patamar inferior a Lula e Dilma Rousseff sobre ser muito ou pouco inteligente) do que com 61% dos entrevistados terem dito que ele fez até agora menos do que o esperado no cargo.

Cem dias, por mais desastrosos que tenham sido, são muito pouco em um período de quatro anos. É possível corrigir a rota política, trocar ministros ineficientes, controlar o impulso na rede social e governar para valer. Só não há tempo a perder.

Folha
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