Opinião

Você é um imbecil?

13 de fevereiro de 2019 às 10h14 Por Heron Cid
A famosa cena do acidente do jornalista Ricardo Boeachat ilustra o estado patológico a que chegamos no uso das redes sociais

Outro dia a fila de bicicletas na pista do parque precisou parar. Nada não. Na frente, um caminhante, no lugar errado, filmava (para postar) sua cadelinha. Ele com aquela cara lerda de quem brinca e tenta interagir com o mundo dos bebês até que se deu conta e saiu do meio.

Os engarrafamentos urbanos são mais demorados do que antes. O acidente pode até ser trivial, mas não raramente quem passa, desacelera ainda mais, quando não pára, só para registrar o fato no seu potente celular e depois… Compartilhar.

Enquanto isso, quem vem atrás que espere, pacientemente, o entretenimento eletrônico alheio.

A cena da moça que ajudou a salvar o motorista do caminhão no acidente do jornalista Ricardo Boechat é ilustrativa do estado deprimente a que chegamos.

Enquanto a mulher bravamente se esforçava para retirar a vítima das ferragens, dois marmanjos estavam preocupados mesmo em gravar a situação e quem sabe ganhar alguns tostões que o Youtube costuma pagar por cenas fortes e exaustivamente visualizadas.

Quantas vezes no trânsito, o sinal abre e o ‘abençoado’ da sua dianteira não sai do canto. Aí, ao ultrapassá-lo, a grande descoberta. Ele está respondendo uma “inadiável” mensagem de whatsapp. Aliás, está há minutos conversando, entre uma marcha e outra.

A viagem pode até parar com uma batida. O diálogo virtual, não! Jamais!

A cena se repete; no parque, no shopping, na mesa do restaurante com casais a um metro de distância, mas separados por quilômetros de Instagram, no sofá de casa…

Como brinca minha terapeuta Alessandra Magalhães, as pessoas não vivem mais, elas postam. Malditos stories…

É comum que até marido e mulher dimensionem a intensidade e a importância de um evento vivido pelos dois por um critério: a postagem. Se não foi compartilhado, é porque, certamente, não foi tão importante assim. E tome discussão.

Se você já foi ou tem sido protagonista de uma situação do tipo, eu tenho uma notícia não muito boa: você virou um (uma) imbecil.

Mas, por favor, não sinta-se ofendido por essas duras palavras. Dessa lista, eu sou um dos primeiros integrantes. Se é que isso te conforta…

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