Bastidores

Refletida em Ciro, esquerda desintegrada é boa notícia para Bolsonaro. Por Bruno Boghossian

8 de fevereiro de 2019 às 13h30
Ciro Gomes, ex-candidato à Presidência pelo PDT

O mais recente bate-boca entre Ciro Gomes e militantes de esquerda reflete uma oposição desintegrada na estreia do governo Jair Bolsonaro. Líderes políticos brigam para tomar o volante, mas nenhum deles parece saber o caminho.

O agravamento da situação de Lula com sua nova condenação consolida o vácuo nesse lado do poder. Ciro se considerava um herdeiro do espaço deixado pelo ex-presidente. Depois de se dizer traído pelo PT, ele agora tenta aniquilar seu antecessor.

Em um encontro da UNE em Salvador nesta quinta (7), o ex-governador cearense decidiu enfrentar a plateia. Disse aos estudantes que os jovens defendem corruptos e que suas referências políticas não respondem mais. Vaiado, Ciro se irritou e gritou três vezes a frase lançada por seu irmão Cid depois da última eleição: “O Lula está preso, babaca”.

A repetição do bordão mostra que os ataques são menos um impulso raivoso do que uma tática de propaganda. Após décadas de hegemonia do PT na esquerda, Ciro mantém sua aposta arriscada na negação do lulismo e no isolamento do partido. A julgar pela reação da militância, esse discurso ainda não colou.

Siglas como o PDT e o PC do B, que foram tratadas como satélites pelos petistas, tentam se descolar. Na eleição para a presidência da Câmara, as duas legendas se aliaram a Rodrigo Maia (DEM). Garantiram espaços estratégicos na Casa, mas aprofundaram a fragmentação do bloco de oposição ao novo governo.

A divisão se dá principalmente pela ausência de um líder que consiga aglutinar os diferentes campos dessa ala. Ainda que receba visitas, Lula está distante da atividade política cotidiana e os personagens de outros partidos são inexperientes ou explosivos demais para costurar acordos —como é o caso de Ciro.

Uma esquerda desorganizada é uma boa notícia para Bolsonaro, que se livra de ataques coordenados em seu confuso início de governo. Até agora, os maiores problemas do presidente foram seus filhos, os ministros enrolados e até seu vice.

Folha

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