Bastidores

Governo Bolsonaro contribui para o Febeapá. Por Marcos Augusto Gonçalves

5 de janeiro de 2019 às 14h00
O presidente Jair Bolsonaro - Pedro Ladeira - 20.nov.18/Folhapress

Em 1966, o jornalista, humorista e compositor Stanislaw Ponte Preta publicou uma reunião de crônicas que escrevia para o jornal Última Hora. Sérgio Porto (1923-1968), seu nome verdadeiro, dedicava-se naquela época a ironizar situações bizarras que se produziam sob o regime militar instituído em 1964.

O livro intitulava-se “Febeapá”, sigla para “Festival de Besteira que Assola o País”. Ao todo foram três volumes, que foram reunidos em 2015 pela Companhia das Letras.

Traziam passagens como essa: “Em Mariana (MG), um delegado de polícia proibiu casais de sentarem juntos na única praça namorável da cidade e baixou portaria dizendo que moça só poderia ir ao cinema com atestado dos pais”.

Bem, seria uma injustiça atribuir apenas ao período militar ocorrências como essas. Temos —e não estamos sozinhos nisso—  secular tradição de bobagens produzidas por governos de todos os tipos, à direita ou à esquerda.

Este início da gestão de Jair Bolsonaro, contudo, vem se revelando particularmente promissor para quem pretenda lançar uma nova compilação de besteiras das autoridades governamentais.

Especialmente fértil nesse quesito tem se mostrado a trinca formada pelos ministros da Educação, das Relações Exteriores e dos Direitos Humanos —uma espécie de núcleo raiz do governo. Mas não são apenas eles. Outros, como o general Augusto Heleno, já se prontificaram a contribuir.

Não foi preciso mais do que dois dias para sabermos isto:

1 – que se inaugura “uma nova era no Brasil”, na qual “meninas vestem rosa e meninos azul”,

2 – que o “marxismo cultural faz mal à saúde”,

3 – que “o problema do mundo não é a xenofobia, mas a oikofobia  —de oikos, oikía, o lar. Oikofobia é odiar o próprio lar, o próprio povo, repudiar o próprio passado”,

4 – que “posse de arma se assemelha à posse de automóvel”.

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