Bastidores

O absurdo aumento salarial dos juízes. Por Ricardo Noblat

9 de novembro de 2018 às 11h00

Enquanto tenta se convencer o trabalhador e o aposentado que a reforma da Previdência pode parecer indigesta, mas é necessária para evitar a falência do sistema e ajudar no equilíbrio das finanças públicas, por larga maioria de votos (41 a 16) o Senado velho, enquanto o novo só tomará posse em fevereiro próximo, aprovou o reajuste salarial de 16,4% para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF)

A levar-se em conta o pronunciamento de vários dos ministros, entre eles José Dias Toffoli, presidente do tribunal, não se tratou de aumento, mas de reposição salarial. Chame-se como quiser, nem por isso deixa de ser um absurdo. O aumento, ou reposição ou reajuste eleva de R$ 33,8 mil para R$ 39,3 mil os vencimentos de uma casta que custa muito além do que de fato recebe porque aí não se incluem penduricalhos e mordomias.

Os R$ 39,3 mil significam quase 18 vezes a renda média do trabalho no país. Na verdade, segundo o Conselho Nacional de Justiça, a despesa média com cada um dos 11 ministros do STF foi de R$ 48,5 mil mensais no ano passado. O Poder Judiciário brasileiro é um dos mais caros do mundo, se não for o mais caro. O reajuste terá impacto nos gastos dos demais poderes – algo como uma despesa extra de cerca de R$ 5 bilhões.

Senadores e deputados federais já começam a falar que seus salários não estão à altura de suas necessidades. Deputados estaduais e vereadores lambem os beiços com o efeito cascata que naturalmente os beneficiará. O trabalhador comum e o aposentado seguem aflitos com o tamanho da conta que terão de pagar.

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