Opinião

Salada girassol e o azeite final

8 de novembro de 2018 às 11h21 Por Heron Cid

A articulação governamental cochilou e não calculou que a ausência de uma interlocução, conversa prévia e definição de regras do jogo levassem à bancada na Assembleia para uma fogueira de enfrentamentos, com riscos reais de queimaduras de terceiro grau e sequelas a longo prazo.

Isso ficou claro, ontem, no inflamado debate sobre a PEC da extinção da reeleição e eleição antecipada na Casa, aprovada semana passada pela maioria absoluta dos parlamentares.

As falas dos deputados da base confirmaram o que já se sabia nos bastidores. Há um redemoinho interno na disputa pelo comando da Assembleia, sem nenhum freio de arrumação de quem poderia agir para formar consenso e pacificação: o Executivo.

Com o laço frouxo, os pleiteantes Adriano Galdino e Buba Germano foram e vão fazendo cada um ao seu modo o caminho para carimbar o passaporte. Deu no que deu. Só agora, o Palácio entra no jogo, depois da confusão formada. De qualquer jeito, se forçar a barra, vai agradar uma parte e melindrar com outro pedaço da base.

Tal qual a jogada do grupo de Galdino, um movimento de alto risco. Para Ricardo Coutinho menos. É do estilo mais duro e impositivo. E afinal, ele está em fase de despedida e férias. Faz o de sempre: impõe a sua autoridade e liderança. Mas a sequela pode ficar para ser sarada (ou não) por João Azevedo, governador em aquecimento para assumir e que vai precisar de uma bancada minimamente sintonizada.

Lá das terras lusitanas, do outro lado do Atlântico em Portugal, onde curte momentos de paz depois da guerra vencida, Azevedo certamente acompanha o motim sem muitos sobressaltos e preocupações. Sabe, no fundo, que o teor desse cálice tem muito a ver com os vinhedos sob sua tutela a partir de janeiro e o sabor final desse prato depende da qualidade e quantidade do seu azeite.

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