Opinião

Ricardo assumiu front anti-bolsonaro e os riscos, também

22 de outubro de 2018 às 10h48 Por Heron Cid

Nem Camilo Santana, governador petista reeleito no Ceará, deve estar tão empenhado na eleição de Fernando Haddad, no estado em que o pedetista Ciro Gomes foi o mais votado, quanto o governador paraibano Ricardo Coutinho.

O socialista tem se revezado penhoradamente em vídeos nas redes sociais e presença em manifestações. Muito mais açoitando Jair Bolsonaro, o favorito na disputa, do que gastando argumentos para fundamentar as qualidades ou virtudes do ex-prefeito de São Paulo.

E por que Coutinho estão tão efetivamente engajado nesse mister?

Desde o processo do impeachment, Ricardo escolheu um lado óbvio: o contraponto até institucional à quem ameaçava tomar o poder, entre eles, adversários paroquiais, como Cássio Cunha Lima.

Forjado na esquerda, a posição em favor do PT e contra os “golpistas” é presumida. Ricardo, porém, bota verniz no discurso e não se limita a fazer uma luta partidária.

No que está certo. Defender especificamente o PT a esta altura é uma tarefa um tanto inglória. Por isso, por estratégia, ele adota uma posição com ares de estadista e diz que a questão é maior: a democracia e o Estado de Direito.

Mas nem só de boas intenções vivem os políticos e Ricardo não é diferente. Em eventual governo petista, o paraibano teria espaço privilegiado. O que seria justo. No mínimo, tem estatura e crédito para virar ministro.

Como a vitória de Haddad é, a preço de hoje, quase uma fábula, Ricardo se esforça para fazer o dever de casa e sair ainda mais fortalecido das urnas deste 2018. Vai jogar todas as suas cartas para aumentar a votação do seu candidato no Estado.

Mas, diante da onda bolsonarista que venceu em João Pessoa, nas suas barbas, e em Campina Grande, por exemplo, assume riscos. Se aumentar a votação do petista, sai cacifado. Se apesar de todo esse empenho público, Bolsonaro aumentar a preferência, sai arranhado em sua liderança sacramentada no primeiro turno.

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