Opinião

Supremo bico

26 de março de 2018 às 11h21 Por Heron Cid
Plenário do Supremo Tribunal Federal

Em meio a uma ruidosa sessão, com direito a transmissão pela televisão e acompanhamento em tempo real dos sites de notícias, um ministro da Suprema Corte de Justiça do Brasil alerta seus colegas sobre a precisão inadiável de sua ausência do julgamento que definiria o futuro político do maior líder de massas do País.

Com bilhetes aéreos em punho, Marco Aurélio justifica a sua necessidade pessoal que levou o STF a adiar a deliberação sobre os pedidos da defesa de Lula.

Adiada, a apreciação corre o risco de não acontecer também no dia 4 de abril, data que foi marcada pela presidente, Cármem Lúcia, para retomada da inflamável análise.

A que pode representar o fim da linha ou o fôlego de esperança para manter a candidatura do petista viva. E o discurso de vítima, por consequência.

Gilmar Mendes tem tudo para não dar o ar da graça na aguardada sessão. Isso porque estará muito ocupado com pomposo evento organizado pelo seu Instituto Brasiliense de Direito Público, em Lisboa.

O cargo de ministro da mais alta Corte do País foi reduzido a uma atividade secundária, não a principal, mais importante e prioritária dos nossos doutos magistrados.

Mesmo bem pagos com os maiores salários da República e ainda montados em auxílios, os ministros estão mais comprometidos com suas atividades particulares.

O País, então, espere pelas suas agendas pessoais.

O Judiciário, que deveria ser nosso último bastião, faz o contrário. Cava ainda mais o poço que pensávamos ser impossível aprofundar.

Quando o Brasil mais precisa dos seus serviços, o STF virou um ‘bico’ para nossos gloriosos ministros.

Talvez porque, de fato, por fora eles faturam mais.

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