Bastidores

A bala que matou Marielle e a lambança do Ministério da Segurança

19 de março de 2018 às 16h38
Raul Jungmann (Foto: Ailton de Freitas - Agência O Globo)

Nota oficial do Ministério da Segurança, hoje, desfaz declaração do ministro Raul Jungman, produzida há três dias, na qual a autoridade afirmava: a munição usada para matar a vereadora Marielle Franco saiu de um lote desviado nos Correios da Paraíba.

Na nova versão, o Ministério explica que Jungmann “não associou diretamente o episódio da Paraíba com as cápsulas encontradas no local do crime que vitimou a vereadora e seu motorista”.

O ministro – remenda a nota – “explicou que a presença dessas cápsulas da PF (Polícia Federal) no local pode ter origem em munição extraviada ou desviada”. O texto diz ainda que, ao citar o caso da Paraíba, Jungmann estava dando um “exemplo de munição extraviada”.

Uma lambança para amortecer o impacto do atestado público de incompetência do Estado brasileiro, admitido nas entrelinhas pelo ministro.

Um Estado que não consegue sequer fazer chegar ao destino certo a munição que compra para combater o crime. E termina sendo vítima. Da própria bala ineficiência.

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