Bastidores

Caixote de querosene. Por Álvaro Costa e Silva

5 de janeiro de 2019 às 16h00
Foto: Marcelo Theobald/Agência O Globo/11-10-2018

Jair Bolsonaro usa o Twitter como se fosse um caixote de querosene. É subir nele e mandar pau na máquina (sem se importar se as vírgulas estão no lugar certo). Numa hora aponta um inimigo imaginário —o “lixo marxista”, que seria o responsável pela calamitosa situação das escolas— e na outra anuncia o decreto que autoriza a posse de armas. E dá-lhe like.

Não é um caixotinho qualquer. Tem mais de 2,8 milhões de seguidores. Segue cerca de 200 perfis, entre os quais um roqueiro sessentão, um perna-de-pau, um lutador de MMA, pensadores da extrema direita, sites de notícias chapas-brancas e de paródias. Um Trump fake está na lista. O real também está, embora seja difícil notar a diferença entre os dois. Se o presidente se confundir, tanto faz como tanto fez.

Pela maneira que tem sido utilizada, é uma rede social com status de canal oficial. Daí a estranheza quando Bolsonaro mudou as configurações para impedir que jornalistas do portal The Intercept Brasil visualizassem suas postagens. Nos Estados Unidos, Trump também bloqueou jornalistas, mas teve de voltar atrás por decisão de um juiz federal de Nova York. Lá, a Primeira Emenda defende a liberdade de imprensa.

Exemplo de tuitada presidencial: “Parabenizo o governo do RJ por extinguir a vistoria anual de veículos. Outrossim, informo que faremos gestões no sentido de passar para 10 anos a validade da carteira nacional de habilitação (hoje, seu prazo é de 5 anos)”. Outrossim? O pessoal se perguntou se havia lido direito.

Graciliano Ramos (este, sim, um marxista de carteirinha, nada imaginário) tinha o advérbio em baixíssima conta. Trata-se de história mais ou menos manjada, mas é provável que Bolsonaro a desconheça. Com o intuito de colaborar com a comunicação do governo, ei-la.

Trabalhando no copidesque do Correio da Manhã, Graciliano certo dia interrompeu a leitura e rugiu: “Outrossim é a PQP!”.

Folha

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