Bastidores

Criador e criatura. Por Álvaro Costa e Silva

5 de dezembro de 2018 às 13h30
Francisco Dornelles, governador em exercício do Rio de Janeiro - Mauro Pimentel/Folhapress

Se nenhuma surpresa acontecer, Francisco Dornelles ficará até o fim do ano como governador em exercício, desafio que ele, aos 83 anos, classifica como o último de sua vida pública. Também serão os derradeiros dias de poder do grupo liderado por Sérgio Cabral, cujas práticas corruptas causaram um prejuízo ao Estado de cerca de R$ 1,5 bilhão, segundo investigações da Lava Jato. O curioso é como as duas pontas do desastre se fecham: Dornelles foi um dos inventores políticos de Cabral.

Um passo decisivo na trajetória do ex-governador foi eleger-se, em 1995, presidente da Alerj, tornando-se o coordenador dos pagamentos de propina a deputados estaduais feitos por empresários do setor de transportes. Cabral só conseguiu o cargo por indicação de Dornelles, na época uma das eminências pardas da chamada Nova República.

Francisco Dornelles praticamente nasceu dentro da coisa. É descendente de Amador Bueno, capitão-mor e ouvidor da Capitania de São Vicente, e dos bandeirantes Francisco Bueno e Bartolomeu Bueno, o Moço. Seu avô paterno era irmão da mãe de Getúlio Vargas. Seu pai casou-se com a irmã de Tancredo Neves. Secretário da Receita Federal no governo João Figueiredo, Dornelles costurou a aproximação do tio Tancredo com os generais da ditadura.

Com um pistolão desses, foi fácil para Sérgio Cabral assumir a liderança fisiológica do antigo PMDB fluminense. A diferença é que ele não seguiu o conselho da velha raposa: mostrar-se, dali em diante, um político conservador e discreto como manda o figurino.

Em seu livro recém-lançado “Se Não Fosse o Cabral” (Tordesilhas), o jornalista Tom Cardoso conta que, por recomendação de Dornelles, Cabral passou a comprar lenços antioleosidade da marca japonesa Shiseido, uma das mais caras do mercado. São os mesmos que o governador em exercício continuará usando para enxugar o suor do rosto em seus últimos dias de poder.

Folha
Vídeo

Vídeo-comentário: Ricardo vai tomar café quente até o fim


Esperança

Ao ler a lista do anúncio dos mesmos secretários no futuro governo da Paraíba, Dona Candinha não se aguentou:

"Agora é esperar que, pelo menos, João troque o governador!"

PONTO DE INTERROGAÇÃO
Sem anúncio para a Segurança, Claudio Lima – no cargo há oito anos – fica ou, finalmente, despede-se?
NÚMERO

7

Número da apertada diferença de votos entre George Coelho (67) e Dudu Martins (60), na eleição da Famup.