Opinião

2018, a eleição que não terminou

19 de novembro de 2018 às 09h39 Por Heron Cid
Zuenir Ventura, autor do célebre livro "1968, o ano que não terminou"; temática vale para 2018 no Brasil

O jornalista Zuenir Ventura publicou em 1989 um livro clássico que ajuda a entender a nossa história recente. Na obra, Ventura traz uma rede de acontecimentos marcantes no Brasil e no mundo, fatos que, especialmente no contexto político, ainda ressoam. O livro é “1968, o Ano que não terminou”.

Pesquisadores e estudiosos podem se preparar e aquecer as canetas. Há muito trabalho pelo caminho depois da eleição de 2018, provavelmente um divisor de águas e inauguração de um novo ciclo no Brasil. É verdade, ainda não se sabe qual…

Sabe-se, porém, que esse processo não findou em 28 de outubro, segundo turno, quando milhões foram às urnas e decidiram entre Fernando Haddad, o representante do projeto de esquerda e seus 13 anos de governo, e Bolsonaro, o eleito com discurso oposto e porta-voz da direita brasileira.

Horas depois da vitória do capitão reformado do Exército, o relógio nem badalou meia noite para virar o dia e as redes sociais já estavam estampadas de palavras de ordem e hastags. ‘Resistência’ e ‘ninguém solta a mão de ninguém’ são exemplos. O “Ele não” continuou mesmo diante da maioria sufragando “Ele sim”.

O confronto, portanto, persiste e está semeado dos dois lados.

Enquanto intelectuais de esquerdas insistem na narrativa segundo a qual o Brasil elegeu um “neofacista”, consequência do “golpe”, e que estamos a um palmo de um “regime de exceção, Bolsonaro vai fazendo sua “limpeza ideológica”, da política do Itamaraty, querendo trocar embaixada em Israel, até à Saúde, com o fim do MaisMédicos, rompendo de vez relações com a Ditadura de Cuba, bem contemplada pelos camaradas governos petistas.

O debate em torno do “Escola Sem Partido” versus “Escola com Militância” e os radicalismos, de parte à parte, são mais pólvora na extensão do fogo da eleição que promete ser muito mais longeva do que se calculava.

Cinquenta anos depois, o terreno volta a ser fértil para quem quiser, assim como Zuenir, escrever sobre um ano emblemático. O título já está pronto: 2018, a eleição que não terminou. Pelo menos, para alguns…

Vídeo

Secretário de Segurança da PB vê “muita coisa boa” no Plano de Moro


Terapia federal

No auge da sua experiência, Dona Candinha já sabe o que o Governo Bolsonaro mais precisa nesse momento:

"Divã!"

PONTO DE INTERROGAÇÃO
Com quantos deputados a oposição realmente conta na Assembleia?
NÚMERO

65 e 62

Idades mínimas para aposentadoria de homens e mulheres, respectivamente, constante da proposta do Governo Federal para a reforma da Previdência.