Opinião

Pró-clamação: a bala no caminho de Glória

16 de novembro de 2018 às 11h28 Por Heron Cid

O regime monárquico no Brasil caiu, basicamente, porque chegou um tempo em que já não atendia mais as demandas e necessidades da população em formação do jovem País.

Nos dias de hoje, o atual sistema padece de sentimento assemelhado ao século no qual o Marechal Deodoro da Fonseca instituiu a República, num golpe político-militar.

Cada dia mais, o cidadão se acha impotente diante dos dramas do cotidiano em que o Estado brasileiro se mostra inapto para corresponder a necessidades mínimas.

Segurança pública é a mais dramática delas.

Ontem, em pleno feriado da República, Ana Glória foi a vítima. Ela tombou quando estava conversando com uma amiga em uma rua do Costa e Silva, bairro de João Pessoa.

Dois homens chegaram em um carro preto e mataram um terceiro de 40 anos.

No tiroteio, Ana deu conta do filho no fogo cruzado. Saiu desesperadamente para evitar o pior e salvar o menino de 12 anos.

Conseguiu, mas entrou na linha de tiro e morreu no local. Diante do filho – agora órfão – e da amiga em choque.

Na mesma rua, dois corpos. Um era alvo, outro padeceu por estar no na hora e no lugar errado: a própria rua.

O desabafo da irmã da vítima, Márcia Oliveira, dá uma pequena noção da dor que consome e corrói brasileiros, paraibanos e pessoenses:

“Minha irmã era uma guerreira, lutou sempre para criar os filhos, era uma serva de Deus. A única certeza que conforta nosso coração é que ela está com Deus. O filho de 12 anos viu essa cena, ninguém aguenta mais. Uma cidadã de bem que lutava para criar os filhos, tem que ter justiça”.

Márcia e o garoto de 12 anos viram irmã e mãe sucumbir, inocentemente, ontem, mas carregarão esse travo até o fim da vida.

Eles são os que nessa sexta pró-clamam contra esse modelo, incapaz de inibir tragédias tanto quanto incompetente na punição aos seus responsáveis.

Como eles, há milhões de pró-clamados em aflição e desesperança, sem um motivo para comemorações.

Nessa história, o que fica é a Glória do gesto da anônima Ana. Que deu a vida para não chorar o filho no caixão nesse dia da República.

Marechal Deodoro, 129 anos atrás, não sabia que seria assim…

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