Bastidores

Óleo: otimismo e baixo carbono. Por Míriam Leitão

19 de outubro de 2018 às 10h30

A empresa noruguesa Equinor, antiga Statoil, tem planos de investir no Brasil US$ 15 bilhões até 2030, e a vice-presidente Verônica Coelho me explicou, numa entrevista na Globonews, a razão dessa aposta.

— A Equinor está com 22 licenças no Brasil e participação em campos importantes, como Roncador, e já temos uma produção de 100 mil barris/dia. O Brasil está numa posição superfavorável, dado o potencial que temos na costa. Isso sem falar na parte rasa, ou onshore, que a gente nem conhece ainda. Então o potencial que se tem, principalmente na área de águas profundas é tão grande que viabiliza a produção a preços competitivos. O momento é ótimo para o Brasil. É importante capturar essa oportunidade e esse valor potencial — disse a executiva.

A consultora Clarissa Lins, da Catavento e do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), diz que a indústria como um todo vê esse momento também com otimismo.

— O IBP está muito otimista em relação ao nosso potencial e à nossa capacidade de responder de forma eficiente e eficaz para gerar riqueza para o país. Esse otimismo, contudo, é fruto das reformas feitas nos últimos dois anos que melhoraram o ambiente de negócios — explica.

O setor de petróleo está às voltas agora com o que define como transição energética para se adaptar às novas metas de baixa emissão.

— O grande desafio que nós temos hoje é de tornar essa produção de petróleo e gás muito mais sustentável, reduzindo as nossas próprias emissões. Acho que esse é um compromisso que eu vejo cada vez mais a indústria aderindo e trabalhando pesadamente com isso — diz Verônica Coelho, da Equinor.

Ela afirma que o setor quer ser menos poluente, fazer uma produção com um impacto menor, para atender aos compromissos que assumiu. Além disso, a própria empresa está investindo cada vez mais em energia renovável, como eólica offshore com a Petrobras. Tem trazido a competência deles nesse tipo de produção de energia para compartilhar com a estatal brasileira:

— A gente já provê energia para um milhão de famílias na Europa através da geração eólica no mar. A eficiência das turbinas é muito maior.

Clarissa Lins diz que o maior desafio é prover a energia necessária para um consumo crescente, com confiabilidade e preços razoáveis, mas emitindo menos carbono.

— O que a sociedade global e a brasileira mostraram para todos é que o mundo precisa caminhar para uma matriz energética menos intensiva em carbono. O grande desafio do setor de petróleo é fornecer a energia e ao mesmo tempo ter a responsabilidade de encontrar soluções para descarbonizar as fontes energéticas consumidas — diz Clarissa.

As petrolíferas estão em transição para serem empresas de energia em geral. A Equinor instalou em Quixeré no Ceará o seu primeiro projeto solar no mundo.

— Os investimentos em fontes renováveis fazem cada vez mais sentido econômico— explica Clarissa.

O mercado empurra o mundo para ser ambientalmente sustentável mesmo quando os governos não entendem a importância. Vários países estabeleceram data para o fim dos carros à combustão. Na Noruega, a partir de 2020 os novos carros terão que ser elétricos.

A produção do petróleo deve subir no Brasil nos próximos anos, ao mesmo tempo em que todas as empresas, inclusive a Petrobras, fazem a sua transição para produzirem energia de outras fontes. No curto prazo, os preços altos, provocados por crise geopolítica, aumentam as receitas fiscais, mas criam o desafio da definição do reajuste interno dos combustíveis. Tanto Jair Bolsonaro quanto Fernando Haddad defenderam políticas de interferência nos preços, que podem prejudicar a Petrobras. No longo prazo, mesmo se houver um retrocesso na área ambiental no Brasil, as empresas continuarão seguindo a lógica, hoje mundial e irreversível, de se tornarem mais sustentáveis.

O Globo

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