Opinião

Cid Gomes e o dedo na ferida do PT

16 de outubro de 2018 às 11h28 Por Heron Cid
Desabafo de ex-governador do Ceará reproduz grito de muitos brasileiros; e é um aliado histórico do PT falando

Se conselho fosse bom, seria pago, não dado. Mas se tiver o mínimo juízo e bom senso, o PT e seus liderados precisam ouvir, com lucidez, o desabafo autêntico do senador eleito Cid Gomes (PDT), num ato público ontem, no Ceará.

A plenos pulmões, o irmão de Ciro Gomes – preterido pelo PT – disse o que a imensa maioria dos brasileiros gostariam de gritar aos moucos ouvidos petistas. Não é possível tamanha desfarçatez quando se exige o mínimo de autocrítica e respeito à inteligência alheia.

O partido que plantou a irresponsabilidade de ter criado e alimentado a divisão do Brasil entre “nós e eles” hoje paga o preço de enfrentar o “todos contra eles”, personificado em Jair Bolsonaro, figura controversa eleita como caixa de ressonância e resposta radical ao radicalismo estéril do PT.

Mesmo apeado do poder, com apoio da imensa maioria popular, o partido ainda tentou produzir uma falsa hegemonia e fez de condenados por corrupção e lavagem de dinheiro seus mártires e inspirações maiores.

“Mas se quiser dar um exemplo pro país, tem que fazer um mea culpa, tem que pedir desculpas, tem que ter humildade e reconhecer que fizeram muita besteira”, bradou Cid, num ato público, para em seguida ouvir, claro, vaias e protestos da inflamada plateia, preparada apenas para ouvir Lula Livre e Haddad presidente.

Em seguida, um dedo firme na ferida: “Porque fizeram muita besteira, porque aparelharam as repartições públicas, porque acharam que eram donos de um país e o Brasil não aceita ter dono”.

Da boca de um adversário, a declaração seria logo e prontamente respondida com a tática de sempre: a desqualificação do interlocutor. Vinda da língua de um aliado histórico, deve ser encarada como pedagógica.

Se um parceiro, político de esquerda, vomita isso na frente de um público militante, o que esperar de centenas de milhares de brasileiros frustrados por terem acreditado e dormido com um sonho e acordado em pesadelo?

Talvez somente depois das urnas fechadas em outubro, o PT possa – distante do calor da eleição e das emoções – parar para refletir sobre o processo de deterioração da legenda. Quem sabe aí o partido possa enxergar que nem todos seguem cegamente seus comandos e o mais importante: que há vida inteligente fora do seu espelho.

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