Bastidores

O PT não aprende. Por Mariliz Pereira Jorge

4 de outubro de 2018 às 10h18
O ex-presidente Lula e o ex-prefeito Fernando Haddad, em ato em São Paulo Foto: Pedro Kirilos/Agência O Globo/09-09-2016

Fernando Haddad culpou o “fascismo da elite” pelo aumento de sua rejeição. O PT não aprende. Não entende que o crescimento, e possível vitória, de um candidato raso de ideias e grosso no autoritarismo não é porque a “elite”, da qual a classe média faz parte, é fascista. É porque ela está de saco cheio de ser tratada como tal e apontada como responsável por todos os males do país, enquanto o partido dele age como se não tivesse nada com isso.

Há diferença entre o eleitor-raiz de Bolsonaro e aquele que apenas votará nele num eventual segundo turno contra Haddad. No entanto, o que eles têm em comum é que a maioria cansou não apenas da roubalheira do PT, mas também de ser chamada de machista, racista, homofóbica. Está exausta de ouvir que rico não tolera pobre em avião ou na universidade (há gente assim, mas uma parte ínfima e risível da sociedade). Cada vez que alguém diz que todo homem é um estuprador em potencial, que tem nojo da elite, que Lula será solto, Bolsonaro fica mais perto da Presidência.

Veja o que ocorreu no fim de semana. A manifestação orquestrada por um grupo de mulheres foi histórica e elas serão uma oposição barulhenta, caso o deputado se eleja. Mas a expectativa de mostrar força e resistência saiu pela culatra, porque o #elenão sem Haddad no pacote desceu arranhando a goela como apoio velado ao PT. Protestar contra misoginia não comove ninguém se a corrupção é tratada como mal menor.

Petistas não aprendem, simpatizantes do partido também não. Artistas têm sido cobrados pela bajulação ao PT, pela falta de autocrítica e por omissão. Não dá para gritar contra um candidato que diz atrocidades e se calar em relação a um partido que mergulhou o país numa crise política, econômica e social desse tamanho. Pau que bate em Chico deveria bater em Francisco.

E o PT precisa mudar o lado desse disco velho do “nós contra eles”, da elite X povo. Não cola mais.

Mariliz Pereira Jorge – Jornalista e roteirista de TV.

Folha
Vídeo

Flagrante: um Palácio da Redenção “inacessível”


Bolo

Dona Candinha sobre a prisão de Michel Temer no dia do aniversário do sucessor, Bolsonaro:

"Um presente!"

PONTO DE INTERROGAÇÃO
Quando os secretários passarão a ver João Azevedo como chefe e não mais como colega de governo?
NÚMERO

71

Número de vagas do concurso público anunciado pela Prefeitura do Conde, litoral sul paraibano.