Bastidores

Bolsonaro vira recado do eleitor: a conta chegou. Por Josias de Souza

4 de outubro de 2018 às 09h45
Jair Bolsonaro (Foto: Diego Vara / Reuters)

Quem dissesse há um ano que Jair Bolsonaro chegaria às eleições de 2018 como um presidenciável competitivo corria o risco de ser internado como maluco. Pois aconteceu. Além de liderar as pesquisas do primeiro turno, Bolsonaro deixou de ser um azarão para o segundo turno. Até o mercado financeiro, que sonhava com alternativas mais previsíveis, já trata a eventual vitória de Bolsonaro como algo natural.

Bolsonaro chega às portas do Planalto depois de passar 27 anos na Câmara como um folclórico deputado do baixíssimo clero. O capitão formou com um general uma chapa puro-sangue militar. Cavalga um partido de fancaria, o PSL. Elegeu um deputado em 2014. Hoje, sua bancada de oito deputados cabe numa Kombi. O tempo de Bolsonaro no horário eleitoral é de 8 segundos.

Como explicar que tamanha precariedade tenha virado um sucesso? Deve-se o fenômeno à falência do sistema político. Bolsonaro é a resposta enraivecida do eleitorado aos defeitos da democracia brasileira —da blindagem de corruptos até a ineficiência de escolas e hospitais, passando pela falta de empregos. Um pedaço do eleitorado envia, por meio de Bolsonaro, um aviso aos caciques da política, entrincheirados no PT, no PSDB, no MDB e nos seus cúmplices. Eis o recado: a conta da desfaçatez chegou.

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Juro zero, tá ok?!

Depois de ter ouvido que o depósito de um ex-motorista na conta de Michelle Bolsonaro tratava-se de um empréstimo, Dona Candinha batizou a mais nova instituição de crédito no Brasil:

"Banconaro!!!"

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