Bastidores

Toffoli faltou à aula. Por Ricardo Noblat

2 de outubro de 2018 às 09h21
Se tem cara de gato, pelos de gato, mia como um gato e bebe leite como um gato, pode apostar sem receio: gato é.

Ditadura é um regime onde todos os poderes do Estado estão concentrados em um indivíduo, um grupo ou um partido.

Ditadura militar é uma forma de governo onde o poder é controlado por militares. Aqui existiu uma entre 1964 e 1985.

O ministro José Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, nasceu em novembro de 1967. Completará 51 anos.

Tinha apenas 18 quando a ditadura acabou. Não deve ter sofrido na pele as marcas brutais deixadas por ela em muita gente.

Talvez não soubesse que a ditadura torturou e matou adversários do regime e que nos seus estertores ainda quis manter-se de pé.

Mas isso está longe de explicar por que preferiu referir-se a ela tanto tempo depois apenas como “movimento”.

É de supor que o jovem Toffoli tenha lido alguma coisa antes de se formar em Direito. De fato, jamais foi um aluno brilhante.

Empregado do PT, assessorou o ex-ministro José Dirceu de Oliveira no primeiro governo Lula. Alguma coisa aprendeu.

Uma vez Advogado Geral da União foi nomeado ministro da mais alta Corte de Justiça do país.

Carecia de melhor currículo para a função, mas dispunha de amigos influentes e poderosos. Deu-se bem.

A explicação oferecida para chamar de “movimento” o que foi uma ditadura é rasa como um pires e revela grande ignorância.

“Se algum erro os militares cometeram foi que resolveram ficar [no governo”], disse Toffoli, ontem, em aula sobre a Constituição de 1988. Se algum erro?

Quer dizer: os militares não erraram ao rasgar a Constituição da época e depor um presidente legítimo, eleito pelo voto.

Também não erraram ao instituir um Estado de Exceção que durou tristes e duros 21 anos, e produziu tantas vítimas.

Em que país mesmo viveu Toffoli durante todos esses anos?

Em que país é possível a um ministro encarregado de zelar pela boa aplicação da lei desconhecer o mínimo de História?

Veja
Vídeo

Vídeo-opinião: mortes no MST, violência no palanque


Juro zero, tá ok?!

Depois de ter ouvido que o depósito de um ex-motorista na conta de Michelle Bolsonaro tratava-se de um empréstimo, Dona Candinha batizou a mais nova instituição de crédito no Brasil:

"Banconaro!!!"

PONTO DE INTERROGAÇÃO
Ricardo Coutinho ocupará algum cargo, oficialmente, no futuro governo de João Azevedo?
NÚMERO

628 mil

Contribuintes que caíram na malha fina no Imposto de Renda 2018, segundo a Receita Federal.