Opinião

Novos números mostram velha realidade: a Paraíba dividida

1 de outubro de 2018 às 11h01 Por Heron Cid
João capitaliza eleitor que aprova governo; Lucélio e Zé brigam para ir ao segundo turno

Quem reparar direito, verá na pesquisa do Instituto Veritá, divulgada pelo Portal MaisPB, dois dados incontestáveis: o primeiro, a consolidação de João Azevedo (PSB) na liderança, com folgada margem, e a oposição com capital político expressivo, somadas as duas candidaturas de Lucélio Cartaxo e João Azevedo.

O crescimento exponencial de João já não é mais explicado apenas pela transferência da excelente avaliação do Governo do PSB e a performance do governador Ricardo Coutinho como cabo eleitoral. Ela atesta o protagonismo de João, ao contrário do que muitos, inclusive das hostes girassóis, esperavam. No processo, Azevedo ganhou vida própria.

Só a aprovação da gestão não seria suficiente. Os resultados de Estela Bezerra e Cida Ramos, em João Pessoa, são provas disso. João se superou e tem mérito no desempenho dos seus 35% de intenções de voto.

A terceira colocação (18,7%) de José Maranhão (MDB), na reta final da campanha, com oscilação negativa no comparativo com outras pesquisas, não chega a surpreender. Há uma inevitável tendência de desidratação por mais competente que tenha sido a comunicação de sua campanha e a própria desenvoltura de Zé. O temor anterior de sua aparição em debates foi enterrado. Até aqui, ele se saiu bem. Mas, convenhamos, não é fácil pedir um quarto mandato numa era de renovação.

Os 19,1% de Lucélio Cartaxo (PV) são compatíveis e resultado do seu volume de campanha nas maiores cidades do Estado, especialmente João Pessoa e Campina Grande, onde transita bem com as bênçãos dos prefeitos Luciano Cartaxo e Romero Rodrigues, cabos eleitorais influentes e carismáticas em seus respectivos colégios eleitorais.

A soma de votos dos dois candidatos da oposição se nivela com o patamar alcançado por João Azevedo, o que reflete o grau de acirramento político tão tradicional da Paraíba, onde nunca há eleição fácil e os municípios são divididos entre dois cordões: o encarnado e o azul. Uma hora a coisa se afunila e uma das candidaturas vai sugando a expectativa de poder.

Nesse caso, aquele eleitor que não engole o atual governo e não quer saber de estender por mais quatro anos o poder de fogo do governador Ricardo Coutinho tende a buscar a candidatura com mais chance de frear a eleição do ungido dos girassóis. É nesse sentimento que Lucélio, pelos números, começa a puxar para si esse eleitor e perspectiva.

No mais, os novos números apresentam uma velha realidade bem conhecida: a Paraíba é rachada em duas bandas. E João está sabendo aproveitar bem outra divisão: a da oposição.

Vídeo

Vídeo-comentário: Ricardo vai tomar café quente até o fim


Esperança

Ao ler a lista do anúncio dos mesmos secretários no futuro governo da Paraíba, Dona Candinha não se aguentou:

"Agora é esperar que, pelo menos, João troque o governador!"

PONTO DE INTERROGAÇÃO
Sem anúncio para a Segurança, Claudio Lima – no cargo há oito anos – fica ou, finalmente, despede-se?
NÚMERO

7

Número da apertada diferença de votos entre George Coelho (67) e Dudu Martins (60), na eleição da Famup.