Bastidores

A polarização dos extremos. Por Merval Pereira

25 de setembro de 2018 às 09h43
Os candidatos a presidente Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) - Arquivo O GLOBO

Parece consolidada a polarização entre Bolsonaro e o PT e, com a diferença sendo tirada rapidamente por Haddad, cresce a possibilidade de eleitores do campo do centro-direita migrarem já no primeiro turno para Bolsonaro, preocupados com a possibilidade de o “poste” de Lula chegar em vantagem ao segundo turno.

Pelo Ibope, Bolsonaro perderia para Haddad numa segunda etapa da eleição, e esse dado também pode fazer eleitores que ainda estão com Amoedo, Meirelles, Álvaro Dias e até mesmo Alckmin usarem o voto útil ainda no primeiro turno.

O candidato do PT reduziu o ritmo de crescimento, mas Bolsonaro ficou estagnado. As próximas pesquisas indicarão se Bolsonaro chegou a seu limite e se Haddad ainda pode crescer. A distância para Ciro Gomes, o mais próximo adversário de Haddad, ficou muito grande para transformá-lo em objeto do voto útil do centro, e Geraldo Alckmin continua sua saga em busca de ânimo, mas ficou quase estagnado.

Virou moda em certos setores considerar uma heresia colocar no mesmo campo os extremismos de direita e de esquerda, mais exatamente comparar Bolsonaro ao PT. Seriam posições políticas distintas, alegam, pois Bolsonaro defende o golpe de 1964, já elogiou torturadores e admite, pessoalmente, ou através de seus principais aliados como o vice General Mourão, a intervenção militar.  Além do mais, ameaçou fuzilar adversários, entre eles Fernando Henrique Cardoso, e, recentemente, “os petralhas”.

Não há dúvida de que Bolsonaro não cabe no figurino de democrata, mas é preciso ter muita boa-vontade para querer dizer que há diferenças de fundo entre os dois, pois o PT seria do “campo democrático”. Não. Uns defendem a ditadura de direita, outros defendem as ditaduras de esquerda.  Por que seriam democratas os que defendem regimes ditatoriais, alguns sangrentos, como os de Cuba, Venezuela e Nicarágua? E o que dizer das tentativas de usar a democracia para impor um regime autoritário, como fez o PT no governo?

A utilização de estatais para desviar dinheiro e comprar apoio no Congresso – e encher o bolso de vários de seus dirigentes – foi o mais duro golpe já desfechado, em caráter institucional, contra a democracia brasileira.

Foram várias também as propostas com o objetivo do “controle social da mídia”, todas derrotadas graças à reação da sociedade e do Congresso, mas a intenção era só uma: censurar a imprensa que não segue sua cartilha, como fazem as ditaduras. E o tema continua na pauta petista, basta ler o programa.

Aliás, Bolsonaro alega que não houve ditadura militar, pois o Congresso funcionava na maior parte do período, o Judiciário também. A mesma coisa que alegavam Chavez, e agora Maduro, na Venezuela.

São várias as lamentações públicas de líderes petistas de que o maior erro quando estavam no poder foi não terem tentado cassar a autonomia constitucional do Ministério Público e a funcional da Polícia Federal.

Quando se queixam dos votos dos ministros do STF escolhidos por Lula e Dilma, alguns até ex-filiados ao PT, deixam claro que os nomearam esperando um tratamento companheiro. Jacques Wagner, que poderia ter sido o “poste” de Lula se não preferisse se garantir na eleição fácil ao Senado pela Bahia, aparece em um vídeo lamentando que tenham chegado ao poder não por uma revolução, mas pelo voto, pois têm que seguir as regras “deles”, isto é, dos democratas.

Já escrevi aqui que o PT “paz e amor” de 2002 foi uma opção circunstancial para chegar ao poder. Os prefeitos do PT já usavam os mesmos métodos para distorcer a democracia. Como Antonio Palocci, quando prefeito em Ribeirão Preto, que falsificava licitações para facilitar as propinas.  Ou Celso Daniel, em Santo André, ou Toninho do PT em Campinas, que acabaram assassinados por disputas políticas envolvendo corrupção.

Tanto Bolsonaro quanto o PT usam a palavra golpe para fazer política. Bolsonaro diz que as eleições podem ser fraudadas na urna eletrônica. Já o PT diz que eleição sem Lula é golpe, e voltará a fazê-lo se perder a eleição. No momento, deixa o tema de lado porque acredita que o “poste” Haddad pode chegar ao segundo turno e derrotar Bolsonaro.  Assim como não aceita as decisões da Justiça na condenação de Lula, tentando desqualifica-las inclusive internacionalmente, o PT retomará a tese do golpe se perder a eleição.

O Globo
Vídeo

Vídeo-comentário: Ricardo vai tomar café quente até o fim


Esperança

Ao ler a lista do anúncio dos mesmos secretários no futuro governo da Paraíba, Dona Candinha não se aguentou:

"Agora é esperar que, pelo menos, João troque o governador!"

PONTO DE INTERROGAÇÃO
Sem anúncio para a Segurança, Claudio Lima – no cargo há oito anos – fica ou, finalmente, despede-se?
NÚMERO

7

Número da apertada diferença de votos entre George Coelho (67) e Dudu Martins (60), na eleição da Famup.