Opinião

Numa eleição dos radicais, o que farão os moderados?

24 de setembro de 2018 às 16h57 Por Heron Cid
Universo do eleitor que não se sente representado pela histérica polarização procura luz no fim do túnel

Chegamos a um ponto em que não há vida inteligente fora da disputa PT versus Bolsonaro. Ou seria anti-PT e anti-Bolsonaro?

Se você não declara apoio a Fernando Haddad ou não é simpático à volta dos petistas ao poder, imediatamente ganha o carimbo de eleitor do capitão reformado.

O contrário também é verdadeiro.

Quem não vota em Bolsonaro ou não bate palmas para sua plataforma de campanha, logo tem que vestir o figurino de um enrustido ‘petralha’.

Não há meio termo. É tudo ou nada. Como se não fosse possível ter uma opinião ou visão alternativa à essa bipolaridade.

Se você é um desses ‘alienígenas’, sinta-se no clube dos moderados, prepare-se para ser visto atravessado pelos dois lados dessa contenda e para aguentar duplas pancadas.

Mas a história não é bem assim. Fora desse ‘mundo’, pelo menos metade do eleitor não embarcou nessa onda.

Somados os percentuais das demais candidaturas e brancos e nulos, há um grande contingente de quem pensa diferente dessa caixinha.

O que restará a esse universo do eleitorado no primeiro turno com forte tendência do confronto principal entre Haddad e Bolsonaro?

Se render ao voto útil e se agrupar na opção entre as principais candidaturas alternativas (Ciro, Marina e Alckmin) é uma hipótese para barrar o iminente apocalipse.

E se – mesmo assim – der Haddad e Bolsonaro no segundo turno, sobra o beco sem saída da penosa migração para o entorno do “mal menor”.

Um exercício difícil para as cabeças (e são muitas) que não se sentem representadas por esse duelo.

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