Bastidores

Segundo turno no primeiro. Por Ricardo Noblat

20 de setembro de 2018 às 09h56
Arte (Antonio Lucena/VEJA)

No limite, à luz fria dos números oferecidos pela pesquisa Datafolha revelada nesta madrugada, o Cabo Daciolo (PATRIOTA) ainda poderá se eleger presidente da República. No momento, em algum ponto do Rio, ele reza para que Jair Bolsonaro (PSL) derrote as forças do mal.

Mas se o acaso não interferir, o que de fato a pesquisa mostra é que Bolsonaro e Fernando Haddad (PT), o candidato ungido por Lula, disputarão uma ou duas vezes a vaga a ser desocupada em breve pelo malsucedido Michel Temer (PMDB), o presidente improvável de um país dividido.

Bolsonaro esperava melhores notícias. Cresceu dois pontos dentro da margem de erro da pesquisa, sua tendência é de alta nas simulações de segundo turno, mas no primeiro ainda empata com Haddad, Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (REDE), e perde para Ciro Gomes (PDT).

A eleição poderá terminar no primeiro turno – no caso, com a vitória de Bolsonaro. Ou no segundo com a vitória, por enquanto, não se sabe de quem. Numa hipótese ou em outra, a parada será decidida pelos eleitores dos outros candidatos, ou pelos sem candidato, ou pelos que admitem mudar o voto.

A duas semanas do primeiro turno, 40% do total dos eleitores admite mudar seu voto. (Aí estaria a chance de Daciolo se eleger.) De cada 10 eleitores de Bolsonaro, 7 garantem que irão com ele até o fim. De cada 10 de Haddad, 7 garantem a mesma coisa. Eleitor ama trair, mas… Adiante.

Ciro parece escolhido pelo destino para ser um coadjuvante de peso relativo em eleições presidenciais. Foi nas duas que disputou e perdeu. Deverá ser nesta. A confirmar-se a suspeita, poderá ser ministro do próximo governo se o presidente for Haddad, ou sairá da política como prometeu.

Vencido por Lula em 2006, às portas de ser vencido de novo, Alckmin apoiará Haddad se essa for a única maneira de impedir a vitória de Bolsonaro – como o fará o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, como o farão os demais tucanos emplumados, e o ex-tucano Álvaro Dias.

PT e PSDB nasceram da mesma costela – a oposição à ditadura militar de 64. Separaram-se. Viraram adversários. Mas poderão se unir contra a ameaça de volta ao passado representada pela dupla Bolsonaro-Mourão, aconselhada pelo economista Paulo “Posto Ipiranga” Guedes.

Pelo mesmo motivo, assim também procederá Marina. Presidência da República é destino, ensinou o cacique baiano Antônio Carlos Magalhães. No início de 1994, o senador Fernando Henrique mal se elegeria deputado federal. Acabou o ano como presidente eleito. Reelegeu-se

Bolsonaro? Quem, aquele deputado do baixo clero empenhado em dizer absurdos para satisfação eventual de jornalistas sem notícias? Pois é… Bolsonaro está aí. Como Haddad, que há dois anos não se reelegeu prefeito de São Paulo. O mundo gira e a Lusitana roda.

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