Opinião

Vida do guia caminha para cova

18 de setembro de 2018 às 09h49 Por Heron Cid

Jornalista com atuação também no rádio e na televisão, devo admitir: a eleição de 2018 é uma prévia do atestado de óbito do guia eleitoral nos padrões convencionais.

Antes, os programas eleitorais exibidos no rádio e na televisão eram aguardados com expectativa pelo valor e influência junto ao eleitorado.

Nele, as estratégias de sensibilização e venda dos candidatos como ‘produto de marketing’.

De tão precioso, valia tudo nos partidos pelo controle das maiores coligações. Nem tanto pela aglutinação de forças políticas. Muito mais pela soma de tempo no palanque eletrônico.

O pleito que estamos assistindo quebrou esse paradigma.

Quem lidera a disputa presidencial é um candidato com oito segundos para se comunicar nos veículos tradicionais. O mesmo que arregimenta multidões em lives.

O candidato com maior acúmulo de minutos, Geraldo Alckmin, cai pelas tabelas.

Na Paraíba, José Maranhão, o mais desvalido de tempo de guia entre os três principais, está no topo da preferência nas pesquisas recentes.

Está mais do que provado. A campanha migrou para as redes sociais.

Nelas, há uma vantagem para o eleitor.

Ele sai da posição de mero espectador e pode participar da discussão, questionar diretamente propostas, debater, entender e até contraditar.

A tradicional propaganda está agonizando. Espertos, os candidatos perceberam isso e foram surfar na onda e falar diretamente com seu público alvo.

O guia eleitoral – dos padrões de até então – morreu. Mas tem uma notícia boa: ele tem sobrevida e fôlego noutras plataformas.

Quem não se reinventar e atentar para esse novo momento morre junto com o finado.

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