Bastidores

Haddad, a melhor escolha do PT. Por Ascânio Seleme

9 de agosto de 2018 às 08h34

Fernando Haddad era mesmo a melhor opção de Lula. Ele é a cara do novo PT que seus militantes e simpatizantes buscam. Em nada lembra a velha guarda do partido, como os senadores Humberto Costa, Ideli Salvatti e Paulo Rocha. Desta turma, aliás, alguns não conseguirão permanecer no Congresso depois das eleições, outros estão tentando voltar.

As alternativas seriam apostas muito arriscadas e de resultados imprevisíveis. Jaques Wagner, por exemplo, embora tenha uma excelente aprovação na Bahia carimbada pela eleição de seu sucessor, tem cara de coronel, jeito de coronel, usa ternos de coronel e tem os cabelos brancos dos velhos coronéis do Nordeste. Nem mesmo entre os militantes e simpatizantes do PT Wagner emplacaria facilmente, e ele sabe disso, tanto que recusou o convite de Lula.

Gleisi Hoffmann, que chegou a ser apontada como opção, seria um tiro de canhão no próprio pé. Presidente do PT, a senadora ficou muito marcada por ter sido a principal porta-voz do partido nos ataques à Justiça em favor de Lula e contra a sua condenação por corrupção e lavagem de dinheiro. Além das milhares de arestas que criou, estabeleceu um certo cisma dentro do PT e não teria o apoio daqueles que entendem que a hora é de olhar para frente. Tampouco seduziria toda a militância.

E quem mais o PT teria para propor? Falando seriamente, olhando extravagantemente para os quadros do partido, dá para entender por que o PT não consegue se desgrudar de Lula. Os quadros são fracos, não aglutinam, têm pouca densidade e muitos parecem ter saído de um filme antigo. São pesados, muitos são carrancudos, e quase todos fingem acreditar que seu partido está sendo objeto de uma perseguição hedionda pela mídia e pela Justiça. Inúmeros são corruptos.

Vamos ver alguns nomes. Lindbergh Farias, o capitão do time dos aloprados do PT, não sabe sequer se conseguirá se reeleger a senador e chegou a cogitar correr atrás de uma cadeira de deputado federal. Responde a mais processos que Renan Calheiros. Com um telhado desse, seria mesmo muito difícil para Lula apontar o seu nome para concorrer ao cargo.

Fernando Pimentel, nem pensar. Tenta se aliar aos “golpistas” do PMDB para ter chance de se reeleger governador de Minas. Patrus Ananias? É um bom deputado, mas que não consegue do PT sequer legenda para o Senado. Jorge Viana, além de ser senador de estado pequeno, teria a sombra da conterrânea Marina Silva. Tarso Genro, ex-governador e ex-ministro, é nome forte, mas muito radical mesmo para o Lulinha pós-Paz e Amor. E já anunciou seu apoio a Guilherme Boulos

Quem mais? O líder na Câmara, Paulo Pimenta, é muito mal-humorado, não cola. O deputado Andrés Sanchez talvez trouxesse alguns corintianos, mas não tem conteúdo e causaria constrangimento ao PT. A deputada Erika Kokay seria a versão presidencial da candidata a governadora Marcia Tiburi. José Guimarães, o da cueca, dificilmente ficaria entre os dez mais votados. Da turma do Rio, os mais cotados seriam Benedita, Pansera ou Damous. Melhor não.

Para piorar, os principais líderes do PT estão impedidos de concorrer. Os ex-ministros Antonio Palocci e José Dirceu são alcançados pela mesma Lei da Ficha Limpa que não permite a Lula se candidatar. O primeiro está preso, o segundo conseguiu um juiz amigo e está detido em casa. E a ex-presidente Dilma Rousseff, que fez a mágica de ser cassada sem perder seus direitos políticos, não pode concorrer a um terceiro mandato seguido. Portanto, vai ter que ser Haddad mesmo. É o que o PT tem de melhor.

O Globo

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