Bastidores

Dilma, o escudo de Fernando Pimentel. Por Ricardo Noblat

13 de julho de 2018 às 09h37
(Arte: Antônio Lucena/Veja)
Não era para que ficasse claro desde já, mas o deputado Durval Ângelo Andrade (PT), líder do governo na Assembleia Legislativa, foi logo entregando:

– A presença dela vai trazer a questão do golpe e da violação de princípios democráticos. O candidato que quiser centrar na crise do Estado, que é uma crise generalizada em todos os Estados, vai perder o bonde da história.

“Ela” é a ex-presidente Dilma Rousseff. Que ontem, e pela primeira vez, falou abertamente em Belo Horizonte que será candidata a senadora por Minas Gerais.

A ideia do PT é que Dilma candidata sirva de escudo para o governador Fernando Pimentel, candidato à reeleição. Ela travará o debate com o PSDB e os demais partidos de oposição deixando Pimentel a salvo de maiores críticas.

O governo de Minas está quebrado. Pimentel responde a processos por corrupção. E Dilma, sua ex-companheira de luta armada e de cela na época da ditadura militar de 64, poderá ajudá-lo.

Só tem um problema: tão logo PT requeira o registro da candidatura de Dilma ao Senado, chegarão à Justiça pedidos para impugná-la.

O Senado cassou o mandato de Dilma, mas preservou seus direitos políticos. Para isso rasgou a Constituição. Ela é clara: quem perde o mandato, perde também os direitos políticos.

A aberração jurídica promovida pelo Senado contou com a boa vontade do ministro Ricardo Lewandowski. Na época do impeachment, ele presidia o Supremo Tribunal Federal.

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