Bastidores

Datena deu outra volta nos políticos. Por Bernardo Mello Franco

11 de julho de 2018 às 09h41
José Luiz Datena, apresentador de TV

Desta vez, ele jurou que era para valer. No fim de junho, José Luiz Datena anunciou que trocaria os estúdios de televisão pelo palanque. O apresentador se lançou candidato ao Senado pelo DEM, em aliança com o tucanato paulista.

A decisão foi celebrada num ato festivo, com figurões como João Doria e Rodrigo Maia. O presidenciável Geraldo Alckmin estava viajando, mas jogou confetes à distância. “O Datena é um grande comunicador. Tem credibilidade e pode ter uma votação gigantesca”, derramou-se.

Os políticos tinham motivos para desconfiar. Em 2016, o apresentador ensaiou disputar a prefeitura pelo PP. Depois anunciou o recuo em seu programa de rádio, com ataques à sigla que o acolhera. “Não posso permanecer em um partido que tomou mais de R$ 300 milhões da Petrobras”, afirmou.

O teatro se repetiu nesta segunda-feira, também ao vivo. “A explicação é muito simples: desisti. É a coisa mais difícil que acontece na vida de um ser humano”, disse, como se estivesse num divã cercado de câmeras e refletores.

As pesquisas indicavam que ele tinha grandes chances de se eleger. Na disputa por duas vagas, o apresentador só aparecia atrás do ex-senador Eduardo Suplicy. Seus trunfos eram o cansaço com a política tradicional e o medo da violência, que ele explora todas as tardes na TV.

Datena despontou como locutor esportivo, mas ganhou fama no comando de programas sensacionalistas. É conhecido por exaltar a polícia e defender a truculência no combate ao crime. “Enquanto a gente continuar tratando bandido com carinho, com amor, eles vão continuar matando”, esbraveja, em vídeo popular na internet.

O apresentador também costuma fazer discursos inflamados contra a corrupção. Curiosamente, aliou-se a um grupo que governa São Paulo há duas décadas, sob suspeita de patrocinar desvios em grandes obras viárias.

Para quem entende de marketing, Datena aplicou um golpe de mestre. Os políticos tentaram usá-lo, mas acabaram usados. Ele valorizou o passe e deu tom patriótico ao novo recuo. “Ainda não me sinto preparado para ajudar o meu povo, a nação brasileira”, discursou, na volta ao estúdio.

O Globo

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Qual é o melhor nome para vice de João Azevedo, candidato do PSB ao Governo?
NÚMERO

48

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