Opinião

O PP no divã

21 de junho de 2018 às 10h31 Por Heron Cid

Ser ou não ser, eis a questão quase psicanalítica do PP da Paraíba. O partido se divide em teses tão diversas quanto antagônicas.

Primeira equação a ser resolvida: disputar ou não uma vaga ao Senado? Pesquisas qualitativas e o próprio cenário indicam espaço aberto.

Vencida essa etapa, com quem seguir no pleito para o Governo do Estado?

Se mirar na coerência do discurso e ouvir a maioria partidária, a legenda fica onde está, na Oposição. Mas qual Oposição: a de Lucélio Cartaxo ou a de José Maranhão?

Se, mais uma vez, consultar o mapa da coerência, a tendência da sigla é manter as relações políticas e administrativas com Luciano Cartaxo, em João Pessoa, e Romero Rodrigues, em Campina Grande.

Um fator preocupa a cúpula do PP. Um irmão na Prefeitura de João Pessoa e outro no Palácio da Redenção não é poder demais concentrado? Por que votar em Lucélio? Os petistas buscam uma justificativa plausível.

Mas, se nada do item coerência for tão relevante, o PP se debruça sobre o papel de joia da coroa do processo. Assim, pode levar em conta outras alternativas.

João Azevedo? Uma adesão pepista levantaria a moral da tropa socialista e a perspectiva da candidatura do Jardim Girassol. A vaga na chapa ao Senado estaria garantida e a vantagem da estrutura governista, capilarizada em todo o Estado.

De ônus, as resistências em Campina Grande, o próprio discurso crítico tantas vezes invocado contra o Governo, o consequente fogo amigo e a dificuldade de compatibilizar a disputa com Veneziano Vital, a quem o PP campinense combate há mais de uma década. Afora, a indisposição da militância laranja em abraçar uma candidatura com DNA “golpista”, como eles costumam chamar.

José Maranhão? Com Maranhão, ainda isolado sem aliança concreta, o PP tem espaço de sobra. Pode pedir e ter o que quiser na chapa. Já tiveram boas relações com Maranhão no Governo. Zero de dificuldade de convivência. A única pedra é o receio de que o emedebista já tenha atingido o teto e despenque nas intenções de voto daqui em diante, puxando pra baixo até eventual candidatura ao Senado.

Lígia Feliciano? Com desempenho razoável nas pesquisas, ela até atende a princípio um desejo do deputado Aguinaldo Ribeiro; a inclinação pela opção desapartada do jugo dos candidaturas do stablishement. Seria a forma de criação de uma nova força para garantir o que Aguinaldo quer mesmo: fazer uma bancada sua em Brasília e ter influência própria em segundo turno. Problema? O risco de um isolamento com o PDT.

O PP, portanto, no divã, leva para Freud uma questão que nem o teórico pode explicar, porque na visão da legenda o dilema não é pela melhor opção. É diagnosticar qual é a menos ruim.

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