Opinião

Ciro na Paraíba; um olho no ideário e outro no voto

16 de junho de 2018 às 17h41 Por Heron Cid
Em agenda na Paraíba, Ciro Gomes voltou a prometer 'varrer' o MDB e a "hegemonia quadrilheira" do mapa da política nacional (Foto: Maurílio Júnior)

Ciro Gomes segue sua pregação pelo Brasil. Na Paraíba pela segunda vez em seis meses, o candidato a presidente pelo PDT renovou sua tarefa de convencer o eleitor a romper com o atual modelo de Michel Temer, resgatar políticas conquistadas no Governo Lula e avançar em reformas e rupturas.

Com Lula fora da disputa, Ciro tem um obstáculo a remover do caminho. Jair Bolsonaro é o seu alvo preferencial em todas as entrevistas que concedeu a veículos e repórteres paraibanos. Para Bolsonaro, Gomes sempre saca a mesma caricatura: ‘um facista despreparado para governar um desmantelado Brasil’.

No rosário do cearense, outro inimigo bastante invocado; o MDB e Michel Temer, sobre os quais o pedetista alcunha pejorativamente de “hegemonia quadrilheira” e reserva munição especial para esculhambar e culpar por todos os pesares amargados por brasileiros e brasileiras nos últimos tempos.

É aí onde Ciro cai em contradição. Ele diz que para acabar a roubalheira basta fechar a torneira da corrupção do MDB, mas esquece propositalmente de um detalhe. O cano da roubalheira irrigou como nunca no período do PT, partido com quem Gomes convive muito bem obrigado e finge nem lembrar que petistas e emedebistas respiravam o mesmo ar não faz muito tempo.

Outra: o presidenciável do PDT bate pesado no que chama de ciclo do golpismo. Ao mesmo tempo, namora com o apoio e reivindica adesão do DEM, a primeira sigla a se posicionar a favor do impeachment de Dilma e inimiga declarada do lulo-petismo desde 2003.

Para esse tema, Ciro responde: “Eu tenho que estar de olho na eleição e em como governar”. Mas pondera: “Eu não vou juntar alho com bugalho e nem gato com cachorro”. Traduzindo: para governar, não quer fazer o que o amigo Lula fez e, no dizer do próprio Gomes, “deu no que deu”.

Inegável, porém, as qualidades retóricas e o apelo interpretado com desenvoltura por Ciro Gomes, nesse momento de turbulência. Não por acaso, o antes desacreditado hoje é um candidato competitivo e cortejado de A a Z no tabuleiro ideológico. Do PT ao DEM, há quem veja nele o preparo e a firmeza necessárias para fazer a travessia de um Brasil em crise.

A passagem do ex-ministro na Paraíba acrescenta conteúdo e volume à pré-campanha da vice-governadora Lígia Feliciano ao Governo do Estado. Ciro é um candidato com 11% de intenções de voto, segundo a última aferição do DataFolha, e tem imagem respeitada. Os elogios e confiança manifestas pelo presidenciável em ascensão emprestam credibilidade e somam ao projeto de Lígia, uma pré-candidata que – mesmo sem estrutura partidária e praticamente sozinha – apresenta desempenho razoável nas pesquisas.

E Ciro, por sua vez, sai da Paraíba com uma conquista. Independente de aliança nacional, com PSB ou PT, o pedetista já tem um palanque para chamar de seu por aqui.

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