Opinião

À espera do candidato

15 de maio de 2018 às 11h08 Por Heron Cid
Descrença e desalento são o resultado mais preocupante dessa nova pesquisa CNT/MDA

A rigor, a nova pesquisa CNT/MDA mantém inalterado o quadro da sucessão presidencial no Brasil. A prisão do ex-presidente Lula não lhe tirou o prestígio popular. Ele segue com 32% das intenções de voto, o que é um desempenho extraordinário para um político nas suas condições.

Sem Lula no páreo, o cenário mais provável, Jair Bolsonaro (PSL) o segundo colocado e signatário atual da polarização, cresce pouco. Oscila apenas de 16,7% para 18,3%. Ainda assim, o suficiente para ser o primeiro colocado com certa folga da segunda, a ex-ministra Marina Silva (Rede), com seus 11%

O resultado mostra algumas verdades. A primeira delas. Lula é um fenômeno a se explicar. A segunda: a força política do petista, porém, não sinaliza qualquer potencial de transferência. Fernando Haddad, estimulado como nome do PT, fraqueja em 2,3%.

A que mais mexe com o imaginário, entretanto, é outra: fora as obviedades, o povo brasileiro se comporta na pesquisa como quem procura um rumo ou não encontra em nenhuma das opções aquele estímulo para votar. São 45% dos eleitores entre brancos, nulos e indecisos.

Sem nenhuma nova liderança parida da crise, um grande contingente de brasileiros não se sente representado e nem muito menos motivado a sair de casa para, num ambiente de tanto desalento, ofertar um voto de confiança. É a descrença em dias melhores o resultado mais preocupante dessa nova pesquisa.

Quem sabe quando a eleição se aproximar e o debate estiver mais claro, o eleitor desperte e se anime a garimpar alguma alternativa. Nem que seja movido a encontrar a menos ruim entre as opções.

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