Bastidores

A culpa é de Temer, não da vírgula. Por Ricardo Noblat

15 de maio de 2018 às 09h51
Michel Temer (Arte: Antônio Lucena)

À falta do que fazer, e assim será até o seu fim, o governo do presidente Michel Temer viveu, ontem, um dia de muitas discussões por causa de uma vírgula. Ou melhor: do estrago político que causaria à sua imagem caso uma vírgula fosse simplesmente ignorada.

Para celebrar seu êxito, o governo do ex-presidente Juscelino Kubistchek adotou como slogan a frase “50 anos em cinco”. Queria dizer que realizara em cinco anos de mandato tanto ou mais do que fora feito ou poderia ter sido feito num período de 50 anos.

 Pouco se cria, muito se copia. E foi assim que o convite oficial para a cerimônia que marcará, hoje, a passagem de dois anos do governo Temer, adotou como mote a frase “O Brasil voltou, 20 anos em 2”. Queria dizer: em apenas dois anos, o governo resgatara o Brasil pujante de há 20 anos.

As redes sociais estragaram a festa antes mesmo do seu início. Por malícia, ignoraram a vírgula. Ficou então: “O Brasil voltou 20 anos em 2”. Poderia haver coisa pior para o presidente com o mais alto grau de rejeição da história das pesquisas por aqui?

Jogou-se a culpa na vírgula, na sua irrelevância, e no modo como ela é sempre maltratada entre nós. Às pressas, cunhou-se outra frase para encabeçar o convite: “Maio/2016 – Maio/2018: O Brasil Voltou”. Porém, o problema continuou do mesmo tamanho.

“O Brasil voltou” só funcionaria se a sensação dos brasileiros fosse de que o país recuperou-se e que agora andará para frente. Não é, pouco importa o que diga o governo. Resta a lição de que o marketing é incapaz de operar milagres quando está a serviço de um produto ruim. É o caso.

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