Opinião

Lígia Feliciano, entre a arritmia e a desfibrilação

24 de abril de 2018 às 10h46 Por Heron Cid

Desde que passou a falar e agir como pré-candidata, embora publicamente ainda evite se auto-declarar, a vice-governadora Lígia Feliciano (PDT) escolheu um discurso para apresentar no debate eleitoral paraibano: o da continuidade e do avanço.

Só que no meio do caminho tem uma pedra. Um grande obstáculo entre a retórica e a prática. O Governo já tem um pré-candidato apresentado como representante desse “projeto”.

Por João Azevedo, o governador Ricardo Coutinho contrariou a lógica para permanecer no governo e arriscar-se em sacrifício pela candidatura socialista à sucessão estadual.

Como, então, Lígia pode se credenciar como alternativa capaz de convencer e atrair o universo do eleitorado que aprova o modelo de gestão em curso, tendo este já alguém para chamar de seu, inclusive filiado ao PSB, partido detentor do governo?

No Frente a Frente, da TV Arapuan, ontem, apresentado pelo autor do Blog, Lígia foi instada a diagnosticar esse quadro sui generis a que está voluntariamente submetida.

Como a senhora vai se diferenciar do candidato ungido do governo? A resposta:“O que vai diferenciar talvez seja a visão do futuro. Eu sou leve e aprendi a escutar e cuidar das pessoas. Como médica, que a primeira coisa que faz é escutar o paciente”.

A médica diz ter a receita. Como integrante do governo, ela quer falar para os mais de 60% dos paraibanos que aprovam o trabalho realizado, e ao mesmo tempo reivindicar autonomia política e pessoal para propor avanços.

De preferência, oscilando entre leveza e coragem, característica peculiar das mulheres, 52% do eleitorado paraibano.

Mas, a cardiologista vai precisar acelerar o passo sem correr o risco de arritmia. Ela só tem pouco mais de três meses para desfibrilar esse desafio.

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