Opinião

Corrupção mata e Cabedelo prova

23 de Abril de 2018 às 16h00 Por Heron Cid
Hospital de Cabedelo interditado em 2014; enquanto autoridades arrotavam dinheiro, na cidade nem o básico funciona direito

Corrupção mata. A sentença foi dada pelo presidente da CNBB, cardeal Sérgio da Rocha, no lançamento da campanha da fraternidade 2018.

A frase também ganhou expressão na boca do procurador da República, Deltan Dallagnol, para quem a corrupção “é uma assassina sorrateira, invisível e de massa”.

Cabedelo, região metropolitana de João Pessoa, prova a regra.

Ontem, a senhora cabedelense Jussara Guimarães sentiu na pele esse poder mortífero.

Grávida de nove meses, com dores e contrações, ela procurou o Hospital Geral da cidade.  Lá, os médicos chegaram a conclusão que a paciente tinha pouca dilatação e mandaram-lhe embora.

Resultado: Jussara pariu, precariamente, em sua residência. Desprovida de cuidados devidos e passando da hora do nascimento, a criança morreu sem ver a luz do mundo, apesar de todo o esforço da mãe e da ajuda de parentes e vizinhos.

Até onde se sabe, na cidade que bate recordes de arrecadação fiscal no Estado há dificuldades de realização de cesareanas.

O único hospital funciona precariamente e chegou a ser interditado, não faz muito tempo, pelo Conselho Regional de Medicina.

Isso na mesma cidade que quase todas as suas autoridades do Legislativo e Executivo estão encarceradas por desvios milionários de recursos públicos.

Dinheiro que, se não fosse desviado, muito provavelmente daria a Isaías, o sexto filho de Jussara, a chance de nascer vivo.

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NÚMERO

R$ 10 mil

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