Bastidores

Um presidiário se torna a figura central da disputa presidencial? Por Reinaldo Azevedo

17 de Abril de 2018 às 10h05

Ouvi os recados e as músicas que vocês cantaram. Estou muito agradecido pela resistência e presença de vocês neste ato de solidariedade. Tenho certeza que não está longe o dia em que a Justiça valerá a pena. Na hora em que ficar definido que quem cometeu crime seja punido. E que quem não cometeu seja absolvido.
Continuo desafiando a Polícia Federal da Lava Jato, o Ministério Público da Lava Jato, o Moro e a segunda instância a provarem o crime que alegam que eu cometi. Continuo acreditando na Justiça e por isso estou tranquilo, mas indignado como todo inocente fica indignado quando é injustiçado.
Grande abraço e muito obrigado.
Luiz Inácio Lula da Silva

As palavras acima são atribuídas a Luiz Inácio Lula da Silva. Note-se, de saída, que os coordenadores do dito acampamento em apoio à Lula estão negociando com o governo do Paraná uma forma de diminuir os transtornos causados aos moradores das imediações. Parece que a coisa caminha para uma solução pacífica. É o certo. A alternativa é a porrada. Se alguém achar que ajuda, pode sugerir…

Há, obviamente, uma dimensão dramática nas palavras de Lula da qual nem ele próprio e seus partidários se dão conta. Muito menos o antipetismo delirante. A propósito: eu sou antipetista, mas procuro pensar em vez de babar. Aquele que fala seria eleito presidente se pudesse concorrer.

É como ter parte considerável da política encarcerada.

“Ah, você está defendendo a liberdade de Lula?” Não neste texto. Eu estou me ocupando de outra coisa, bem mais sutil, importante e perigosa do que “prende ou solta” o ex-presidente. Já chego lá. Antes, algumas considerações sobre o conteúdo da mensagem.

Essa fala de Lula é exercida na Terra do Nunca. No caso do tal tríplex de Guarujá, não é segredo para ninguém que considero que o petista foi condenado sem provas. Uma leitura isenta dos autos vai indica-lo. E todos sabem que o TRF-4 deu um encaminhamento de exceção ao processo. Ocorre que considero inferior a zero a chance de o STJ, quando chegar a hora, analisando as chamadas questões de direito do processo, sem reexame de provas, inocentá-lo. Quando se der, deve ser depois das eleições ou num prazo em que Lula já terá tido rejeitada a sua candidatura pelo TSE — logo, candidato também não será.

A esperança que vaza do bilhete de Lula serve para alimentar a resistência e a militância, mas ela é vã. Não vai dar em nada. A chance de sair da cadeia em prazo curto está na votação das Ações Declaratórias de Constitucionalidade. Ainda que volte a prevalecer o que está na Constituição — cumprimento da pena só depois do trânsito em julgado —, em algum momento, à cadeia ele voltaria. E há os outros processos.

E, agora, chego ao ponto que realmente me interessa.

Que diabos as elites brasileiras estão fazendo com o país, de sorte que será um presidiário o elemento a definir nosso destino político? Observem que minha pergunta tem validade pouco importa o que pense você sobre a condenação; pouco importa o que pense você sobre a prisão. Como foi que chegamos a isso?

E incluo nesse grupo que chamei “elite” os políticos e partidos de todas as tendências, os movimentos de rua, o Ministério Público Federal, o Poder Judiciário…  Mas chamo a atenção muito especialmente das forças que se opõem ao PT: como é que elas conseguiram se descolar de parcela tão considerável da população que metade dos eleitores sufragaria um nome contra quem pesam graves acusações?

“Ah, é que o povo está desinformado…” Bem, abstenho-me de contestar tal tolice porque faria supor que o único voto informado e de qualidade é o que se dá contra o PT…

O bom para o país seria o PT ser exorcizado pelas urnas  — e, reitero, neste momento, não estou debatendo a condenação de Lula — não pela Polícia e pelo Judiciário, mesmo num julgamento que fosse impecável. Em vez disso, essas forças é que tiram o líder petista do jogo, ou as tais urnas, em vez de exorcizá-lo, o consagrariam, apesar de todos crimes que lhe são imputados.

Quem não entender que vai aí a história de um divórcio entre as forças do antipetismo e parcelas consideráveis do povo brasileiro não está entendendo nada.

Comemorar o que está em curso como se fosse simples exercício de profilaxia é de uma burrice sem limites. Os anos vindouros não serão tranquilos. Quando um presidiário se torna o principal elemento de uma eleição, fiquem certos, o mal é mais profundo do que se imagina. E cobrará o seu preço.

A direita, como de hábito, está cega pra isso. E a esquerda aproveita esse divórcio para questionar o valor da própria democracia.

RedeTV

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