Bastidores

Corrosão de Aécio enferruja o próprio tucanato. Por Josias de Souza

17 de abril de 2018 às 10h01
Aécio Neves, senador do PSDB (Foto: Pedro Ladeira/Folha)

Há no Brasil, como se sabe, seres que são legalmente inimputáveis. Por exemplo: os doentes mentais e as crianças são considerados incapazes de responder pelos seus atos. Na política, também existe uma categoria de inimputáveis: os tucanos. Nesta terça-feira, a Primeira Turma do Supremo deve enviar Aécio Neves para o banco dos réus. Com isso, será atenuada essa sensação incômoda de que quem tem bico grande e plumas não precisa prestar contas à Justiça.

O PSDB continua enrolado na bandeira da ética. Mas ao acobertar Aécio Neves, o partido transformou a corrosão do senador gravado achacando o empresário Joesley Batista em R$ 2 milhões num processo de enferrujamento partidário. O tucanato fez exatamente o que criticava no PT, seu grande rival. A única diferença é que o PSDB não tem militantes para chamar Aécio de “herói do povo brasileiro.”

Num intervalo de três anos e meio, Aécio despencou da antessala do poder para o purgatório. Em 2014, depois de degustar uma derrota com sabor de vitória, Aécio parecia fadado a se eleger presidente neste ano de 2018. Hoje, Aécio é um colecionador de processos criminais. Já são nove. Com a limitação da abrangência do foro privilegiado, prevista para 2 de maio, no plenário do Supremo, Aécio será candidato favorito a ser julgado na primeira instância do Judiciário, onde é mais difícil se fingir de louco.

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