Opinião

Um diferencial

7 de abril de 2018 às 11h06 Por Heron Cid

Adversários políticos do governador Ricardo Coutinho tendem a cair na tentação de minimizar sua decisão de permanecer no Governo, até o fim, e tratá-la como patrimonialismo ou estratégia de uso da máquina para fazer um terceiro mandato, como alguns deles chegaram a insinuar ontem.

Mas, no íntimo, poucos poderão deixar de reconhecer que a opção – diante de uma escolha tão difícil – gerou um capital de diferenciação favorável ao discurso do governador e de aliados.

No Rádio Verdade (Rede Arapuan de Rádios), o autor do Blog – apesar de achar que Coutinho tinha mais motivos para sair do que para ficar –  frisou em duas ocasiões, antes da decisão, o seguinte enunciado: se Ricardo ficar, estará demonstrando, com um fato concreto, que é um político diferenciado, desprendido e que não pensa apenas no próprio umbigo.

E ele o fez com um ato de coragem para poucos. Ignorou riscos das consequências de desfechos negativos de processos que ainda tramitam da eleição de 2014 e até de eventual insucesso da candidatura que apresenta, a do digno ex-secretário João Azevedo, ainda em processo de viabilização.

Na hora da escolha, Ricardo preferiu claramente o sacrifício pessoal. Olhou muito menos para si e muito mais para os “companheiros” do chamado “projeto”. Preservou a militância abrigada no guarda-chuva do Governo, a base, os compromissos com os deputados e a defesa da continuidade deu seu modelo de gestão.

Qualquer um no seu lugar, optaria pelo mais fácil e seguro. Afinal, só lhe restam nove meses de gestão e a realidade de, após 31 de dezembro, ficar sem um mandato para chamar de seu, em tempos nos quais até que quem está amparado pelas imunidades vive sob instabilidade jurídica.

Ele quebrou uma tradição, quase uma regra para governadores; sair do Palácio diretamente para pisar nos tapetes azuis de Brasília, um céu para quem quer prestígio, conforto, influência e tribuna.

Quem disse que só se faz política com um diploma da Justiça Eleitoral na parede? Militante – como ele auto-proclamou – Coutinho quer provar que é possível nadar contra a maré, mesmo em meio a tsunamis e fortes correntes contrárias.

Ricardo fez o caminho inverso, pedregoso e de incógnitas. Certamente, muito consciente do preço a ser pago a curto e médio prazo.

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