Opinião

Romero Marcelo, o homem por trás da toga

3 de abril de 2018 às 10h24 Por Heron Cid
Presidente do TRE revela histórias pessoais e emociona pública; a típica entrevista que sai do óbvio

“Não há boa entrevista sem bom entrevistador”. A sentença de Fábio Altman, organizado do livro a Arte da Entrevista, define o desafio e a responsabilidade do jornalista nesse gênero. Arrancar além do óbvio é mais do que uma tarefa, deve ser obstinação do entrevistador como presente ao público.

No Frente a Frente, da TV Arapuan, aqui e acolá estou entre os presenteados por prospectar e testemunhar, tal qual o telespectador, revelações pouco habituais para os padrões e características dos entrevistados, geralmente autoridades do Legislativo, Executivo e Judiciário.

Ontem, foi a vez do presidente do TRE, Romero Marcelo, titular de um cargo sisudo por si só. Pela alta patente e ônus da função de mediar conflitos entre interesses distintos da política, fenômeno que aqui em nossas terras tem significado de rivalidade à toda prova.

Em meio a assuntos agudos, preparação de eleições, crise política e as cobranças contemporâneas ao Judiciário, Marcelo desnovelou situações de sua intimidade.

Pernambucano filho de militar, cresceu obstinado pela carreira do pai, chegando a servir ao Exército por 11 anos em duas cidades (Paraíba e Acre). No paralelo, cursou com dificuldades Direito. Saiu dos quartéis para exercer o cargo comissionado de delegado de polícia, de onde foi demitido por perseguição política.

Não engoliu a demissão e delegou a si mesmo uma missão: poderia ser embaixador, mas um dia entraria para a Polícia Civil pela porte da frente. E conseguiu. Tão logo surgiu a carreira, foi aprovado em concurso e seus algozes tiveram que engoli-lo.

Mas a indigestão para esses só durou até o então delegado passar em novo concurso. Dessa vez, para juiz. Um concurso, aliás, que ele fez só por experiência e nem via qualquer chance de sucesso. Passou em primeiro lugar…

“Eu me achava muito distante das qualidades intelectuais de um juiz”, confessou. E admitiu: na magistratura precisou deixar para trás o sangue quente e impulsivo próprios dos militares para alimentar o magistrado sereno e equilibrado nas decisões, sua meta dali em diante.

Por mais esforço, Marcelo confidenciou que nunca conseguiu ser um juiz indiferente quando militou nas varas de Família e Infância, por exemplo. Viveu dilemas de levar situações e decisões para casa, literalmente.

Ao ponto de abrigar em sua residência, crianças em situação de risco. Duas delas viraram filhos adotivos, que se somaram aos seus doze de sangue. Nessa hora, o desembargador deu lugar ao homem. E se emocionou diante dos olhos do entrevistado. Junto com ele, a audiência.

Ao término, depoimento de uma telespectadora à produção do programa sintetizou a entrevista: “Nunca pensei que choraria assistindo a uma entrevista de um presidente do TRE”. Nem eu.

Ao conceito de Altman, um singelo acréscimo. Um bom entrevistado colabora muito com uma boa entrevista.

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